Saúde

Inalação de vapor de gasolina causa câncer e ameaça frentistas, aponta estudo

Pesquisa revela cinco componentes tóxicos na gasolina que representam risco à saúde de trabalhadores do setor

30 de Marco de 2025
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

A inalação de vapor de gasolina pode causar câncer de bexiga e leucemia mieloide aguda em adultos, segundo um estudo publicado pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), na revista The Lancet Oncology.  

A pesquisa destaca que a exposição a esses vapores afeta principalmente aqueles que trabalham diretamente com o combustível, como na produção, transporte e reabastecimento de automóveis. Entre os profissionais mais expostos, os frentistas de postos de combustíveis estão em risco elevado, o que tem gerado preocupações quanto à segurança no ambiente de trabalho. 

A Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro) tem defendido a adoção urgente de medidas eficazes para proteger a saúde desses trabalhadores.  

O secretário de saúde da entidade, Eduardo Silva, ressaltou que os frentistas estão mobilizados para que os postos implementem sistemas de recuperação de vapores nas bombas, uma medida que ajudaria a reduzir a inalação dos vapores tóxicos.  

Ele também destacou a necessidade de políticas públicas mais rígidas e de normas de segurança ocupacional para proteger não só os frentistas, mas também a população em geral. “É urgente que sejam reforçadas políticas públicas e normas de segurança ocupacional para minimizar os riscos à saúde dos frentistas e da população em geral. A divulgação dessa nova classificação pela IARC deve servir como um alerta para a necessidade de medidas mais rígidas de prevenção e fiscalização”, afirmou Eduardo. 

Outros riscos à saúde 

Além dos cânceres de bexiga e leucemia mieloide aguda, a pesquisa indicou que a exposição ao vapor de gasolina também pode estar associada a outros tipos de doenças. Embora as evidências sejam limitadas, há indícios de que a inalação desses vapores esteja ligada a linfoma não-Hodgkin, leucemia linfocítica crônica, mieloma múltiplo, síndromes mielodisplásicas (que afetam a produção de células sanguíneas na medula óssea), além de cânceres de estômago e rim em adultos, e leucemia linfoblástica aguda em crianças. 

A gasolina é composta por uma mistura complexa de hidrocarbonetos, que inclui aditivos químicos para melhorar o desempenho do combustível e reduzir as emissões de poluentes. Entre os cinco aditivos identificados como tóxicos e cancerígenos estão o benzeno, cumeno, xileno, tolueno e etilbenzeno. Embora outros compostos, como o ETBE (éter etil terciário-butílico) e o MTBE (éter metil terc-butílico), apresentem evidências limitadas sobre seu potencial cancerígeno, outros como o DIPE (éter di-isopropílico), TAME (éter terc-amilmetílico) e TBA (álcool terc-butílico) foram classificados como não cancerígenos. 

Medidas de proteção para trabalhadores 

O Instituto Nacional de Câncer (INCA), por meio da Coordenação de Prevenção e Vigilância, tem recomendado diversas práticas para minimizar a exposição ao vapor de gasolina entre frentistas e outros trabalhadores do setor. Fernanda Nogueira, coordenadora da área técnica Ambiente, Trabalho e Câncer, listou as principais medidas de segurança: 

1. O abastecimento dos veículos deve ser limitado pelo sistema automático da bomba, não devendo ultrapassar o limite programado pela bomba. O “click” da bomba deve ser respeitado como sinal de término do abastecimento. 

2. Os trabalhadores não devem cheirar a tampa do veículo antes de abastecer, pois isso pode intensificar a inalação de vapores prejudiciais. 

3. Uniformes molhados com combustível devem ser trocados imediatamente. Caso um trabalhador esteja exposto a essa situação, é importante comunicar o empregador para que providencie a troca da vestimenta. 

4. A saúde dos trabalhadores deve ser monitorada regularmente, com exames médicos periódicos (clínicos e bioquímicos), para detectar precocemente quaisquer alterações nos órgãos, indicando possíveis doenças. 

5. Equipamentos de proteção, como luvas impermeáveis e máscaras, são essenciais durante a coleta de combustível, retirada do caminhão-tanque, e para a leitura manual dos tanques submersos. 

Responsabilidades das empresas de postos de combustíveis 

O INCA também orienta as empresas a implementar práticas de segurança, incluindo a instalação de sistemas de recuperação de vapores nos bicos das bombas de combustíveis, especialmente aqueles que contêm benzeno. Esses sistemas são projetados para capturar e redirecionar os vapores para o próprio tanque do posto ou para equipamentos de tratamento.  

Outras recomendações incluem a manutenção regular das bombas de abastecimento, a instalação de peças protetoras contra respingos, a utilização de leitores eletrônicos nos tanques para eliminar a leitura manual, e a garantia de uniformes e equipamentos adequados para os trabalhadores. Além disso, as empresas devem oferecer treinamento regular sobre os riscos associados à profissão e as normas de segurança necessárias. 

Essas medidas são fundamentais para garantir a segurança dos trabalhadores e a redução dos riscos à saúde, tanto para os frentistas quanto para a população que frequenta os postos de combustíveis.

 

Com informações da Agência Brasil. 

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