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Institutos de saúde do Brics discutem parcerias para enfrentar emergências globais

Encontro no Rio vai gerar carta com compromissos para ampliar acesso a medicamentos e vacinas.

16 de Setembro de 2025
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Os institutos nacionais de saúde dos países do Brics discutem, no Rio de Janeiro, estratégias para ampliar a cooperação científica e técnica, reforçar a preparação para futuras emergências sanitárias e garantir acesso equitativo a medicamentos, vacinas e diagnósticos. O encontro é organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que representa o Brasil, e resultará na quarta-feira (17) na divulgação de uma carta de compromissos.

“Os institutos nacionais de saúde pública podem fazer contribuições muito importantes, seja na preparação e na resposta às emergências de saúde, seja em emergências por questões relativas a fenômenos naturais, mudança climática ou assuntos epidêmicos”, destacou Cristian Morales, representante da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. Ele defendeu que a capacidade científica e produtiva do bloco deve servir para criar inovações e ampliar o acesso a insumos de saúde.

O Brics reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, a retração de programas internacionais de saúde, especialmente pelos Estados Unidos, reforça a importância da articulação entre esses países. “É um momento muito oportuno para o Brasil, que está na liderança do Brics, e vê a possibilidade de fazer coisas que vão beneficiar a saúde da população dos nossos países”, afirmou.

Um dos eixos do encontro é a Parceria pela Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas, firmada em julho na última cúpula de chefes de Estado do bloco. O termo abrange enfermidades ligadas a fatores sociais, econômicos e ambientais, como tuberculose, doença de Chagas, malária e hepatites virais, que atingem principalmente as populações mais pobres.

A vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz, Lourdes Oliveira, destacou a necessidade de reduzir desigualdades no acesso a tratamentos e inovações. “É fundamental que a gente esteja ligado, articulando, trabalhando juntos para se fortalecer e não viver mais o cenário horrível que nós vivemos durante a pandemia”, disse.

Segundo os organizadores, o documento final do encontro deve servir de base para novas ações de pesquisa, produção de insumos e políticas públicas baseadas em evidências, fortalecendo a soberania sanitária dos países do bloco.

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