Mundo

Israel ameaça Teerã após intensos ataques e retaliações mútuas

Conflito entre Irã e Israel escalou com troca de mísseis e bombardeios; TV estatal iraniana reporta cerca de 60 mortes em ataque a complexo habitacional

14 de Junho de 2025
Foto: MEGHDAD MADADI / TASNIM NEWS / AFP

Irã e Israel protagonizaram uma intensa troca de mísseis e ataques aéreos neste sábado (14), um dia após Israel lançar uma ampla ofensiva contra seu antigo inimigo. A operação israelense matou comandantes e cientistas iranianos e bombardeou instalações nucleares, numa tentativa declarada de impedir que o país construa uma arma atômica.

Em Teerã, a TV estatal iraniana informou que cerca de 60 pessoas, incluindo 20 crianças, morreram em um ataque a um complexo habitacional, além de relatar outros ataques pelo país. Israel afirmou ter atingido mais de 150 alvos estratégicos.

Em Israel, sirenes de ataque aéreo soaram durante a noite, fazendo moradores buscarem abrigo enquanto ondas de mísseis cruzavam o céu e eram interceptadas por sistemas de defesa. Ao menos três pessoas morreram. Uma autoridade israelense revelou que o Irã disparou cerca de 200 mísseis balísticos em quatro ondas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou os ataques israelenses e alertou que “algo muito pior poderá acontecer caso o Irã não aceite rapidamente a forte redução de seu programa nuclear”, conforme exigido nas negociações previstas para retomar no domingo.

Enquanto Israel afirma que sua operação pode durar semanas e convoca o povo iraniano a se levantar contra seus governantes clericais islâmicos, cresce o temor de uma escalada regional envolvendo potências externas.

Os EUA, principal aliado de Israel, colaboraram na interceptação dos mísseis iranianos, conforme relataram duas autoridades norte-americanas.

"Se (o líder supremo, aiatolá Ali) Khamenei continuar a disparar mísseis contra o front israelense, Teerã queimará", declarou o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz.

O Irã prometeu vingar o ataque israelense de sexta-feira, que destruiu a liderança nuclear e militar do país, além de danificar instalações atômicas e bases militares. Teerã ainda alertou que suas bases militares na região retaliarão caso aliados de Israel auxiliem na derrubada de mísseis iranianos, segundo a televisão estatal iraniana.

Vinte meses de guerra em Gaza e um conflito no Líbano no ano passado enfraqueceram os principais aliados regionais do Irã, Hamas em Gaza e Hezbollah no Líbano, reduzindo suas opções de retaliação.

Estados árabes do Golfo, desconfiados do Irã, mas temerosos de se tornarem alvo em um conflito maior, pediram calma. O receio de interrupção nas exportações de petróleo fez o preço do barril disparar cerca de 7% na sexta-feira.

O general e parlamentar iraniano Esmail Kosari declarou que o país avalia seriamente a possibilidade de fechar o Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento do petróleo do Golfo.

Israel vê o programa nuclear do Irã como uma ameaça existencial, afirmando que os bombardeios visam impedir os últimos passos para a fabricação de uma arma atômica.

Por sua vez, Teerã insiste que o programa é totalmente civil, em conformidade com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), e nega buscar o desenvolvimento de uma bomba nuclear. Contudo, o país tem repetidamente ocultado partes do seu programa de inspetores internacionais, e a Agência Internacional de Energia Atômica informou recentemente que o Irã está violando o TNP.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.