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Israel anuncia ajuda humanitária em Gaza, mas Hamas contesta números

Cúpula da ONU discute solução de dois Estados e reconhecimento da Palestina.

28 de Julho de 2025
Foto: Stringer / Reuters

Israel anunciou nesta segunda-feira (28) que 120 caminhões com ajuda humanitária entraram na Faixa de Gaza no domingo (27). O grupo extremista Hamas, porém, contesta a informação, alegando que foram apenas 73 veículos e que boa parte da carga foi saqueada.

Segundo o Cogat, órgão vinculado ao Ministério da Defesa de Israel, a carga foi distribuída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por entidades humanitárias. “Os alimentos transportados por mais de 120 caminhões foram recebidos e distribuídos ontem (domingo) pela ONU e por organizações internacionais", publicou o órgão na rede social X.

O Hamas, citado pela agência EFE, afirma que apenas 73 caminhões entraram no território. “A maioria foi saqueada sob o olhar atento da ocupação israelense e dos seus drones, em uma clara tentativa de impedir que a ajuda chegasse aos centros de distribuição”, declarou o grupo. Ainda segundo os palestinos, foram realizadas três operações de lançamento aéreo de ajuda, equivalentes a apenas dois caminhões. Os mantimentos, no entanto, teriam caído em áreas de combate, inacessíveis à população civil.

Israel declarou, ainda, uma pausa diária nos combates para fins humanitários em certas regiões. O objetivo, segundo o governo de Benjamin Netanyahu, é “refutar a alegação falsa de fome deliberada na Faixa de Gaza”. A pausa acontece durante o dia em Al-Mawasi, Deir al-Balah e na cidade de Gaza, das 10h às 20h (horário local), até novo aviso. Também foram definidas rotas seguras, das 6h às 23h.

Em paralelo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que “a fome nunca deve ser usada como arma de guerra”, em referência à crise em Gaza e no Sudão. “Os conflitos continuam propagando a fome em Gaza, no Sudão e em outros lugares. A fome alimenta a instabilidade e compromete a paz. Nunca devemos aceitar a fome como arma de guerra”, afirmou, em videoconferência durante a Cúpula da ONU sobre Sistemas Alimentares, na Etiópia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os níveis de subnutrição na Faixa de Gaza são “alarmantes”. O “bloqueio deliberado” da ajuda humanitária já teria causado dezenas de mortes. Das 74 registradas por desnutrição desde o início do ano, 63 ocorreram apenas neste mês: 24 crianças menores de cinco anos, uma criança com mais de cinco e 38 adultos.

Cúpula da ONU discute solução de dois Estados

A sede das Nações Unidas, em Nova York, recebe desde segunda-feira (28) uma conferência internacional dedicada à causa palestina. O encontro, co-presidido pela França e pela Arábia Saudita, visa relançar a solução de dois Estados, Palestina e Israel.

O evento, que termina nesta terça-feira (29), tem o objetivo de definir os parâmetros para um roteiro rumo ao reconhecimento pleno do Estado palestino, sem comprometer a segurança de Israel. Segundo o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot, a França usará a conferência para pressionar outros países a reconhecerem a Palestina.

“Vamos lançar um apelo em Nova York para que outros países se juntem a nós para iniciar uma dinâmica ainda mais ambiciosa e exigente que culminará em 21 de setembro”, declarou Barrot ao jornal La Tribune Dimanche. A expectativa é que, até lá, países árabes condenem o Hamas e peçam o desarmamento do grupo.

Apesar da mobilização diplomática, os Estados Unidos não participam da conferência. Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que o evento seria “um presente para o Hamas, que continua rejeitando as propostas de cessar-fogo de Israel que levariam à libertação dos reféns e trariam calma a Gaza”. Washington votou contra a convocação da conferência na Assembleia Geral da ONU em 2023.

Israel também boicotou a conferência. Segundo o porta-voz da missão israelense na ONU, Jonathan Harounoff, o encontro “não aborda com urgência a questão de condenar o Hamas e devolver todos os reféns que ainda estão com o Hamas”.

Histórico e reconhecimento da Palestina

A proposta de dois Estados é antiga. Os palestinos reivindicam um país soberano na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza – territórios ocupados por Israel desde a guerra de 1967. Em maio de 2024, a Assembleia Geral da ONU apoiou a candidatura da Palestina como membro pleno da organização, com 143 votos a favor e apenas nove contrários. A decisão foi uma resposta ao veto dos EUA no Conselho de Segurança semanas antes.

Desde a partilha da Palestina, há mais de 75 anos, a ONU tem tido papel central na questão palestina. Em 1947, a Resolução 181 propôs a criação de dois Estados, um judeu e outro árabe, com Jerusalém sob regime internacional. Os árabes rejeitaram a proposta; os judeus aceitaram. Em 1948, Israel foi fundado e venceu os vizinhos árabes em guerra no ano seguinte.

Outros marcos incluem a Resolução 242 do Conselho de Segurança, em 1967, e a volta de Yasser Arafat aos territórios palestinos em 1994. Em 1993, o acordo de Oslo entre Israel e a OLP resultou na criação da Autoridade Palestina.

Desde 1970, os Estados Unidos já usaram o poder de veto cerca de 40 vezes no Conselho de Segurança da ONU para proteger Israel. O conflito mais recente começou em 7 de outubro de 2023, com um ataque do Hamas que deixou 1,2 mil mortos em Israel e 250 reféns. Desde então, cerca de 60 mil palestinos morreram na ofensiva israelense, segundo autoridades de Gaza.

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