Netanyahu promete capturar "últimos bastiões terroristas" enquanto ONU cobra cessar-fogo.
O Exército de Israel iniciou nesta semana os primeiros passos de uma ofensiva terrestre para ocupar a Cidade de Gaza, provocando a fuga de milhares de palestinos de bairros como Zeitoun e Sabra. A região, que abriga mais de um milhão de pessoas, tem sido alvo de intensos bombardeios e disparos de artilharia nos últimos dias.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que duas brigadas já atuam em Zeitoun, onde foi localizado um túnel com armas, enquanto uma terceira opera em Jabalia. Segundo o porta-voz Effie Defrin, as ações visam “destruir as infraestruturas terroristas e cortar a dependência da população em relação ao Hamas”. O governo israelense convocou 60 mil reservistas para liberar militares da ativa.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que está “encurtando prazos” para tomar o que chamou de “últimos bastiões terroristas” em Gaza. Em resposta, o Hamas acusou Israel de “guerra brutal contra civis” e disse ter aceitado uma proposta de cessar-fogo de mediadores do Catar e do Egito, rejeitada por Netanyahu.
A ofensiva ocorre após o fracasso de negociações para a libertação de reféns. Israel calcula que 50 ainda estejam em cativeiro, dos quais cerca de 20 vivos. Famílias temem que a operação militar coloque os detidos em maior risco.
Na Faixa de Gaza, a situação humanitária é considerada catastrófica por organismos internacionais. Segundo a Defesa Civil local, 25 pessoas morreram na quarta-feira (20) em ataques israelenses, incluindo três crianças e seus pais. O Patriarcado Latino de Jerusalém afirmou que áreas próximas à única Igreja Católica de Gaza receberam avisos de evacuação.
A ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) voltaram a pedir um cessar-fogo imediato, alertando para a devastação generalizada e o risco de crise irreversível. O secretário-geral António Guterres apelou também à libertação incondicional de todos os reféns e criticou a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, considerada ilegal pelo direito internacional.
O conflito já dura 22 meses. Israel ocupa cerca de 75% do território de Gaza e insiste em que só aceitará um acordo abrangente, com libertação total dos reféns. Segundo o Ministério da Saúde local, pelo menos 62.122 palestinos foram mortos desde o início da guerra, em outubro de 2023.