Governo brasileiro pede que Israel reverta decisão e destaca riscos ao cessar-fogo
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou a decisão de Israel de suspender a ajuda humanitária a Gaza, classificando a medida como uma ameaça ao cessar-fogo. Em nota oficial, o Itamaraty expressou sua preocupação, ressaltando que a suspensão da entrada de bens, remédios e ajuda internacional exacerba a grave situação humanitária na região.
“O governo brasileiro deplora a decisão israelense de suspender a entrada de ajuda humanitária em Gaza, que exacerba a precária situação humanitária e fragiliza o cessar-fogo em vigor”, afirmou o Itamaraty.
O Brasil reiterou que Israel tem a obrigação de não interromper serviços essenciais e de continuar com a assistência humanitária a Gaza, conforme as diretrizes da Corte Internacional de Justiça. Para o governo brasileiro, o bloqueio representa uma violação grave dos direitos humanitários. A nota também destacou a necessidade de Israel reverter a decisão e permitir a entrada de ajuda humanitária sem impedimentos.
“A obstrução deliberada e o uso político da ajuda humanitária constituem grave violação do direito internacional humanitário”, afirmou o governo brasileiro.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores solicitou que tanto Israel quanto o Hamas retomem as negociações para garantir a continuidade do cessar-fogo e a assistência humanitária irrestrita.
“O Brasil insta as partes ao estrito cumprimento dos termos do acordo de cessar-fogo e ao engajamento nas negociações a fim de garantir cessação permanente das hostilidades, retirada das forças israelenses de Gaza, libertação de todos os reféns e estabelecimento de mecanismos robustos para ingresso de assistência humanitária desimpedida, previsível e na necessária escala”, concluiu o comunicado.
Suspensão da ajuda e fim do Cessar-Fogo
A suspensão da ajuda humanitária e de outros bens em Gaza aconteceu no domingo (2), após o Hamas rejeitar a prorrogação da primeira fase do cessar-fogo. O acordo, que foi iniciado em janeiro, terminou no sábado (1º). Após a suspensão, Israel voltou a atacar Gaza, resultando em mortes e ferimentos. De acordo com o Ministério da Saúde do Hamas, quatro pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas nas primeiras horas após o fim da trégua.
O Hamas acusa Israel de manipular os termos do acordo e exige um cessar-fogo permanente, a retirada total das tropas israelenses e a reconstrução de Gaza. O governo israelense, por sua vez, disse estar disposto a estender o acordo até o fim do Ramadã e da Páscoa judaica, oferecendo aumento do fluxo de ajuda humanitária e continuidade das trocas de reféns e prisioneiros.
Com informações da Agência Brasil.