Assim como o jornal, a revista, o rádio, a TV e a internet, as histórias em quadrinhos também são uma mídia poderosa para produção de grandes reportagens
Na semana, no dia 7 de abril foi celebrado o Dia do Jornalista e depois do nosso artigo sobre Cinema e Jornalismo, a gente continua pegando carona na data e hoje vamos listar obras onde os quadrinhos e o ofício da busca da informação se encontraram e resultaram em obras poderosas e relevantes até hoje, como uma boa matéria jornalística é capaz de fazer.
“Palestina”, de Joe Sacco, é uma reportagem em quadrinhos que retrata o cotidiano de palestinos durante a ocupação israelense, baseada na experiência do autor em campo. Joe Sacco, jornalista espanhol que se tornou referência no segmento vai até os lugares, conversa com as pessoas de todos os lados e ilustra as conversas com seu traço que não tem a obrigação de ser anatomicamente realista. A obra apresenta relatos de civis, mostrando violência, restrições e impactos sociais do conflito, com foco em dar voz às pessoas afetadas.
Recentemente o ator chegou a postar um desabafo nas redes sociais de que estava desistindo de fazer essas histórias, por causa dos recentes conflitos com absurdas perdas de civis na Faixa de Gaza. Ele chegou a questionar do que adiantava fazer suas histórias se esses conflitos continuavam a acontecer. Momentos depois voltou a atrás e disse que parar não era uma opção. É a força do dever jornalístico.
“O Fotógrafo” de Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier é uma imersão do Afegnistão sob domínio da União Soviética em Em 1986. O fotógrafo Didier Lefèvre participou de uma expedição ao país e boa parte do percurso foi registrado em imagens e relatos dos próprios afegãos. Tempos depois o Afeganistão derrotaria a União Soviética e o Talibã tomaria conta do país.
“São Francisco” de Gabriela Güllich e João Veloso faz uso da linguagem dos quadrinhos e do fotojornalismo para apurar os impactos e a importância da transposição do Rio São Francisco para a população nas regiões afetadas.

Foto: Reprodução
“Mauz”, de Art Spiegelman se baseia nas entrevistas que o autor fez com o próprio pai, sobrevivente de um campo de concentração dos nazistas. Ele conta a experiência do pai com um traço cartunesco, desenhando os judeus como ratos brancos e os nazistas como gatos. O trabalho foi o primeiro quadrinho a ganhar um Pulitzer, o prêmio máximo do jornalismo e literatura dos Estados Unidos.
A cada ano novas adaptações e coberturas jornalísticas são reportadas em quadrinhos, demonstrando que as reportagens podem chegar a novas audiências além dos formatos adicionais.