Brasil

Jovem de Manaus deixa amigo em trilha e ele desaparece no Pico Paraná

Caso ocorreu durante virada do ano e mobiliza buscas intensas no Sul

04 de Janeiro de 2026
Foto: Reprodução

A jovem Thayane Smith, de 19 anos, natural de Manaus, e Roberto Farias Thomaz, também de 19 anos, se encontraram em Curitiba no dia 31 de dezembro de 2025 para subir o Pico Paraná e acompanhar o primeiro nascer do sol de 2026. No entanto, apenas Thayane retornou da trilha no dia 1º de janeiro. Roberto desapareceu durante a descida da montanha e não foi mais visto desde então.

De acordo com os relatos iniciais, a dupla iniciou a trilha ainda na noite do dia 31, subindo até o acampamento 1, onde descansaram por algumas horas antes de seguir rumo ao cume por volta das 3h da madrugada. Durante a subida, outros trilheiros relataram que Roberto passou mal, apresentando sinais de fraqueza e episódios de vômito.

Mesmo debilitado, Roberto conseguiu chegar ao topo por volta das 4h, após receber ajuda de integrantes do grupo, que forneceram água e alimento. Após o amanhecer, os trilheiros iniciaram a descida. Em um ponto antes do retorno ao acampamento 1, Roberto ficou para trás e não foi mais visto.

Thayane apresentou versões diferentes sobre o momento em que se separou do amigo. Em um primeiro relato, afirmou que Roberto havia passado mal e não conseguiu acompanhar o ritmo. Posteriormente, em entrevistas à imprensa, declarou que decidiu seguir em frente porque ele estava lento, alegando que avançar fazia parte de seu estilo de vida e que outros trilheiros vinham logo atrás.

Durante o percurso, a dupla conheceu outros montanhistas, entre eles Fábio Sieg Martins, que se tornou uma das principais testemunhas do caso. Segundo ele, a ausência de Roberto foi percebida quando o grupo retornou ao acampamento. Fábio relatou que encontrou Thayane sozinha na barraca e estranhou a situação, acionando o Corpo de Bombeiros assim que conseguiu sinal de celular.

As buscas oficiais começaram ainda na tarde do dia 1º de janeiro e seguem mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros do Paraná, voluntários e montanhistas especializados. As operações incluem equipes em solo percorrendo trilhas, sobrevoos com helicóptero equipado com câmera térmica, uso de drones, apoio do Corpo de Socorro em Montanha e participação do Clube Paranaense de Montanhismo. Para facilitar os trabalhos, o Instituto Água e Terra determinou o fechamento temporário das trilhas do Pico Paraná e de morros vizinhos.

O comportamento de Thayane após o desaparecimento também gerou repercussão. A jovem desceu da montanha portando pertences de Roberto, como carteira e celular, alegando que a mochila do amigo estava pesada. Nas redes sociais, publicou vídeos e mensagens que foram alvo de críticas, incluindo comentários considerados insensíveis enquanto as buscas já estavam em andamento.

A Polícia Civil do Paraná instaurou diligências para apurar o caso, que até o momento é tratado como desaparecimento sem indícios criminais. Segundo o delegado Glaison Lima Rodrigues, todos os envolvidos foram ouvidos como testemunhas e, caso surjam elementos que indiquem crime, o procedimento poderá ser convertido em inquérito policial. O Pico Paraná, com 1.877 metros de altitude, é considerado uma trilha de alto grau de dificuldade, com penhascos, uso de cordas, mudanças bruscas de clima, neblina intensa e ausência de sinal de celular, fatores que ampliam os riscos e dificultam as buscas.

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