Política

Julgamento de Bolsonaro pode aumentar popularidade e dividir Brasil, diz Financial Times

A reportagem destaca que o julgamento pode ter impacto direto na eleição presidencial de 2026, assim como a prisão de Lula influenciou a disputa de 2018

01 de Abril de 2025
Foto: Imagens da Internet

O jornal britânico Financial Times publicou nesta terça-feira (1) uma reportagem na qual avalia que o julgamento de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado pode fortalecer politicamente o ex-presidente, aprofundando ainda mais a polarização no Brasil. Bolsonaro, que se tornou réu na semana passada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), nega as acusações.

De acordo com a publicação, autoridades brasileiras querem que o julgamento ocorra antes da campanha presidencial de 2026, para evitar incertezas jurídicas como as que cercaram a candidatura de Donald Trump em 2024. O jornal alerta, no entanto, que o processo pode transformar Bolsonaro em um mártir político.

O Financial Times compara a situação ao caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em 2018 por corrupção em um julgamento que dividiu o país. As condenações de Lula foram anuladas posteriormente devido a falhas processuais, permitindo sua volta ao poder em 2023.

Uma pesquisa do instituto AtlasIntel citada pelo jornal indica que a população brasileira está dividida sobre o caso: 51% acreditam que Bolsonaro tentou um golpe, enquanto 48% o consideram inocente. O Financial Times destaca que o julgamento será conduzido pelo STF, descrito como uma instituição que ganhou "poderes extraordinários" nos últimos anos.

A reportagem também aponta críticas à participação do ministro Alexandre de Moraes no caso. O magistrado, suposta vítima do plano golpista, teria conduzido a investigação, integrado a comissão que aceitou o caso e agora participará do julgamento, o que levanta questionamentos sobre possível conflito de interesses.

Bolsonaro alega que há perseguição política por parte do STF, especialmente porque o tribunal inclui Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça do petista. O STF, por sua vez, negou qualquer parcialidade e afirmou que segue rigorosamente a Constituição.

A reportagem destaca que o julgamento pode ter impacto direto na eleição presidencial de 2026, assim como a prisão de Lula influenciou a disputa de 2018. Bolsonaro, em entrevista ao Financial Times, acusou promotores de favorecerem a reeleição do atual presidente.

O jornal também observa que, desta vez, o cenário político brasileiro pode ter repercussões internacionais devido à proximidade entre Bolsonaro e Trump. Embora o presidente dos EUA ainda não tenha se envolvido no caso, Eduardo Bolsonaro tem feito lobby em Washington para obter apoio ao pai.

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