Saúde

Julho alerta para riscos silenciosos à visão: DMRI e EMD em foco

Doenças pouco conhecidas podem levar à perda irreversível da visão central.

28 de Julho de 2025
Foto: Veja Saúde / VEJA

Julho é o mês da saúde ocular e, entre os diversos desafios que afetam a visão da população brasileira, dois nomes ainda pouco conhecidos ganham destaque: a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e o Edema Macular Diabético (EMD). Apesar de menos comentadas que doenças como a catarata, ambas podem causar a perda da visão central e impactar profundamente a autonomia dos pacientes.

A DMRI é uma condição crônica e progressiva que afeta a mácula, região central da retina responsável por detalhes finos da visão, como leitura e reconhecimento de rostos. Com o avanço da idade, essa área pode sofrer danos, levando à perda da visão central, embora a periférica geralmente seja preservada. A forma úmida da DMRI, mais grave, tem progressão rápida e exige acompanhamento constante e tratamento especializado. A condição é uma das principais causas de cegueira em pessoas acima de 60 anos no mundo.

Já o EMD é uma complicação da retinopatia diabética, causada pelo acúmulo de açúcar no sangue, que danifica os vasos da retina e provoca inchaço na mácula. A doença pode atingir pacientes com diabetes tipo 1 ou 2, principalmente em casos de controle glicêmico inadequado. Silenciosa, muitas vezes só apresenta sintomas quando há comprometimento significativo da visão e pode evoluir rapidamente sem diagnóstico precoce.

De acordo com uma pesquisa da FGV, em parceria com a ONG Retina Brasil e apoio da Roche Farma Brasil, que ouviu 155 pessoas com DMRI ou EMD em todas as regiões do país, 29% dos pacientes já abandonaram o tratamento pelo menos uma vez. O dado revela o desafio da continuidade no cuidado oftalmológico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que apenas metade dos pacientes com doenças crônicas segue corretamente seus planos de cuidado, o que também se aplica às doenças da retina.

Entre os principais motivos para a interrupção do tratamento estão fatores como rotina intensa, dificuldade de locomoção e medo da aplicação de injeções intraoculares. No entanto, especialistas alertam que abandonar o tratamento pode resultar em perda visual irreversível.

Outro dado relevante do levantamento é que apenas 20% dos participantes utilizaram serviços de reabilitação visual. Entre os que acessaram esses recursos, muitos relataram melhorias em atividades cotidianas, como pegar transporte público, realizar transações bancárias, atualizar documentos e manter vínculos sociais. Já entre os que não buscaram reabilitação, surgem justificativas pessoais, como desinteresse, mas também estruturais, como a inexistência de serviços na cidade, distância dos centros de atendimento, custos e falta de apoio.

Hoje, terapias eficazes estão disponíveis para estabilizar o quadro e proporcionar mais conforto ao paciente. O desenvolvimento de novas tecnologias também tem contribuído para reduzir as limitações impostas por essas doenças. No entanto, o cuidado com a saúde ocular precisa ir além do consultório médico. É necessário investir em redes de apoio, acompanhamento contínuo, acesso à reabilitação e suporte emocional, de modo a preservar não só a visão, mas também a qualidade de vida dessas pessoas.

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