Decisão considera bom comportamento, participação em atividades educacionais e redução de 364 dias da pena; saída está prevista para este sábado (24), em Manaus.
A Justiça do Amazonas autorizou, nesta sexta-feira (23), a progressão de regime de Ademar Farias Cardoso Neto, irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso. Condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico, ele poderá deixar o regime fechado e passar a cumprir pena no semiaberto. A decisão foi assinada pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, após análise dos requisitos legais e manifestação favorável do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). A saída da unidade prisional está prevista para as 10h deste sábado (24).
Segundo a decisão judicial, a mudança de regime foi autorizada após a avaliação do comportamento de Ademar durante o período em que esteve preso. Entre os fatores considerados estão a ausência de faltas disciplinares, a boa conduta carcerária e a participação em atividades de trabalho, leitura e estudo. O documento também destaca o desempenho educacional do condenado, incluindo a aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025.
Um dos principais fatores para a concessão do benefício foi a redução de 364 dias da pena por meio da remição, mecanismo previsto na legislação brasileira que permite descontar parte do tempo de prisão pelo cumprimento de atividades reconhecidas pela Justiça. Inicialmente, a progressão estava prevista para outubro de 2027, mas o abatimento antecipou o prazo para outubro de 2026. Um exame criminológico também apontou condições favoráveis ao cumprimento da pena em um regime menos restritivo.
Com a decisão, Ademar deverá utilizar tornozeleira eletrônica e cumprir uma série de determinações judiciais. Entre as medidas estão o recolhimento domiciliar das 22h às 6h, de segunda a sexta-feira, e a permanência em casa durante fins de semana, feriados e dias de folga. Ele também não poderá mudar de endereço ou deixar Manaus sem autorização judicial, além de estar proibido de consumir bebidas alcoólicas e drogas ilícitas. O descumprimento das regras poderá resultar na revogação do benefício.
Ademar estava preso desde maio de 2024, após as investigações relacionadas à morte de Djidja Cardoso, encontrada sem vida na residência da família, em Manaus. O caso ganhou repercussão nacional e levou à Operação Mandrágora, que investigou a distribuição e o uso irregular de cetamina, substância anestésica, por integrantes de um grupo denominado “Pai, Mãe, Vida”. Em julho de 2026, Ademar, sua mãe e outras cinco pessoas foram condenados por crimes relacionados ao tráfico de drogas.
A progressão acontece menos de um mês após Cleusimar Cardoso, mãe de Ademar e Djidja, também receber autorização judicial para cumprir pena no regime semiaberto. Ela deixou a prisão em 29 de setembro e passou a utilizar tornozeleira eletrônica, seguindo restrições semelhantes. Cleusimar também foi condenada a 10 anos e 11 meses de reclusão por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Segundo informações divulgadas pela defesa, familiares e amigos de Ademar organizam uma recepção no salão de beleza Belle Femme, localizado no bairro Parque Dez de Novembro, zona centro-sul de Manaus. O advogado Lenilson Ferreira informou que a progressão de regime não encerra o processo e que a defesa continua buscando a absolvição nas instâncias superiores. A decisão permite a mudança na forma de cumprimento da pena, mas não representa o encerramento da condenação.
Até a manhã deste sábado (24), as informações consultadas confirmavam a autorização judicial e a previsão de saída, mas não a efetiva liberação de Ademar da unidade prisional.