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Justiça mantém prisão de ex-CEO da Hurb por furto de obras de arte no RJ

João Ricardo Rangel Mendes teve prisão em flagrante convertida em preventiva após ser acusado de furtar esculturas e quadros em hotel e escritório na Barra da Tijuca.

29 de Abril de 2025
Foto: Reprodução / X

O ex-CEO do antigo Hotel Urbano, atual Hurb, João Ricardo Rangel Mendes, de 44 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada no último domingo (27) pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. João Ricardo foi detido em sua residência, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, acusado de furtar obras de arte. 

De acordo com a denúncia, na sexta-feira (25), ele subtraiu uma obra de arte e três esculturas do Hotel Hyatt, localizado na Praia da Barra da Tijuca. No dia seguinte, ainda segundo o relato, ele furtou dois quadros, um iPad e a carteira do proprietário do escritório Duda Porto Arquitetura, situado no Casa Shopping, no mesmo bairro. 

A direção do shopping procurou a polícia após identificar o furto por meio das câmeras de segurança. As imagens mostraram João Ricardo cometendo os crimes, o que levou à sua identificação como autor dos furtos. As investigações apontaram que os crimes começaram pelo hotel e, posteriormente, seguiram para o escritório de arquitetura. 

Na decisão judicial que converteu a prisão, o juízo da central de custódia justificou a medida cautelar com a seguinte declaração: 

“Evidente a necessidade da conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva do custodiado, como medida de garantia da ordem pública e ordem econômica, impondo-se atuação do Poder Judiciário, ainda que de natureza cautelar, com vistas ao restabelecimento da paz social concretamente violada.” 

O documento também aponta antecedentes: 

“Ressalta-se que a consulta à folha de antecedentes criminais (FAC) do custodiado [João Ricardo] permite verificar diversas anotações por crimes patrimoniais anteriores.” 

João Ricardo ocupou o cargo de CEO da Hurb até 2023, quando deixou o posto após se envolver em diversas polêmicas, incluindo ofensas a clientes nas redes sociais. 

Além da prisão do ex-diretor, a empresa também enfrenta forte crise. Neste mês, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da Hurb, impedindo a agência de atuar no setor turístico. A decisão foi tomada diante de denúncias de descumprimento contratual e uma série de reclamações na esfera administrativa e judicial. 

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, exigiu que a Hurb apresentasse informações detalhadas sobre sua situação financeira, incluindo o número de contratos pendentes, o valor total devido aos consumidores e a lista de clientes prejudicados. Caso a determinação não seja cumprida, a multa prevista é de R$ 80 mil por dia. 

Para a Senacon, a operação da empresa se tornou inviável "do ponto de vista operacional, técnico e financeiro". O órgão informou que durante 12 meses tentou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa. 

O secretário Nacional do Consumidor, Wadih Damous, declarou: 

“A Senacon não negocia com má-fé, omissão e desrespeito ao consumidor brasileiro, e a medida do Ministério do Turismo é necessária e coerente com os fatos.” 

Após a decisão, o Hurb divulgou uma nota pública chamada “carta aberta ao mercado”, na qual afirma que vinha negociando com a Senacon há mais de 15 meses, com o objetivo de resolver pendências com viajantes afetados durante a pandemia de covid-19. Na mesma nota, a empresa criticou a decisão, alegando surpresa e afirmando que o movimento “pareceu mais político do que técnico”, acusando o órgão de ter “abandonado a mesa de negociação e partido para o ataque”. 

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