Meio Ambiente

Lideranças da América do Norte encerram Balanço Ético Global em Nova York

Iniciativa mundial prepara relatório de recomendações éticas para a COP30 em Belém.

20 de Setembro de 2025
Foto: Fernando Donasci / MMA

O Balanço Ético Global (BEG) realizou nesta sexta-feira (19/9), no Museu Americano de História Natural, em Nova York, o último de seus seis Diálogos Regionais, reunindo 21 lideranças indígenas, políticas, científicas, religiosas, artísticas e da sociedade civil. O encontro debateu caminhos para enfrentar a mudança do clima no continente, com base em valores éticos e culturais, e encerrou a série de encontros globais que subsidiam a preparação da COP30, conferência climática da ONU que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).

O BEG foi concebido para engajar a sociedade na agenda climática, partindo da constatação de que a humanidade já dispõe de soluções técnicas, mas carece de compromisso ético para executá-las. Inspirado no primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, concluído na COP28, o processo propõe reflexão e ação coletiva para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C.

Os resultados de cada um dos seis encontros regionais serão consolidados em relatórios que formarão um documento-síntese. Esse material será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à presidência da COP30, durante a Pre-COP em outubro, em Brasília, para embasar as negociações climáticas.

O diálogo norte-americano contou com Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Janja Lula da Silva, enviada especial para Mulheres da COP30; Selwin Hart, assessor especial do secretário-geral da ONU; e André Corrêa do Lago, presidente da COP30, além de Karenna Gore, colíder do encontro e diretora do Center for Earth Ethics. Marina destacou: “Que o Balanço Ético Global contribua para trazermos, dos diferentes lugares do mundo, uma contribuição viva para que a COP30 de fato seja esse grande mutirão pela implementação das decisões já tomadas ao longo de décadas”.

Karenna Gore lembrou que 2024 foi o primeiro ano em que a meta de 1,5 °C foi superada, segundo o observatório climático europeu Copernicus, e alertou: “Precisamos não apenas de informação, mas de sabedoria para invocar e mobilizar isso, o que exige uma mudança cuidadosa de abordagem”. Selwin Hart reforçou a necessidade de justiça climática, afirmando: “Não desistiremos da esperança e da coragem. Toda voz, toda ação e toda pessoa que você influencia contam”.

Para André Corrêa do Lago, é fundamental recolocar a dimensão ética no centro das negociações climáticas: “É exatamente isso que tenho aprendido em todos esses diálogos regionais, e isso está tendo um impacto muito forte em mim”. Janja ressaltou a inclusão de gênero: “A justiça climática só pode ser atingida quando houver também justiça de gênero”.

O BEG já passou por Londres (Europa), Bogotá (América do Sul, Central e Caribe), Nova Délhi (Ásia), Adis Abeba (África) e Sydney (Oceania). Cada encontro contou com lideranças locais e globais, entre ex-chefes de Estado, ganhadores do Prêmio Nobel da Paz e especialistas em clima e direitos humanos.

A iniciativa fortalece o mutirão global convocado pela Presidência da COP30 para implementar as resoluções do Consenso dos Emirados Árabes Unidos, que incluem triplicar energias renováveis, duplicar eficiência energética, interromper o desmatamento e avançar na transição justa para o fim do uso de combustíveis fósseis.

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