Brasil e ONU pedem metas mais ambiciosas para conter o aquecimento da Terra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacaram na última quarta-feira (24) a urgência na entrega das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas de redução de emissões de gases de efeito estufa previstas no Acordo de Paris. O apelo foi feito durante a Cúpula do Clima, na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que reuniu representantes de 120 países.
As NDCs definem as ações de cada nação para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C. Desde 2015, quando o Acordo de Paris foi assinado, houve duas entregas desses compromissos; a atual é a terceira. Lula e Guterres alertaram que sem o conjunto completo dessas metas o planeta “caminha no escuro”.
Guterres lembrou que a implementação das NDCs já contribuiu para reduzir a projeção de aquecimento da Terra de 4 °C para menos de 3 °C, mas disse que é preciso “ir muito mais longe e mais rápido”. Segundo ele, as novas metas para 2035 devem abranger todas as emissões e todos os setores, refletindo uma transição energética justa em escala global.
Lula reforçou que, embora cada país possa escolher suas estratégias de redução de gases, apresentar a NDC não é opcional. “Muros não vão conter secas nem tempestades. Nenhum país está acima do outro”, declarou, lembrando que o sucesso da COP30, marcada para novembro em Belém (PA), depende da adesão de todos.
O presidente brasileiro também frisou que cumprir as metas climáticas é fortalecer o multilateralismo, enfatizando a necessidade de cooperação entre nações diante da crise ambiental. “Faço um apelo aos países que ainda não apresentaram NDCs: o sucesso da COP30 depende de vocês”, disse.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou que a mobilização internacional demonstra confiança no processo multilateral e reforça a expectativa de que a conferência em Belém seja um marco na luta climática.
Durante a cúpula, a China anunciou sua nova NDC, prometendo reduzir emissões líquidas entre 7% e 10% e ampliar para mais de 30% o uso de combustíveis não fósseis. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também afirmou que a União Europeia pretende apresentar sua nova meta antes da COP30, com cortes previstos de 66% a 72% nas emissões.
O Brasil foi o segundo país a apresentar a nova NDC, em novembro do ano passado, comprometendo-se a reduzir de 59% a 67% das emissões e a zerar o desmatamento até 2030. O prazo final para a entrega de todos os compromissos climáticos é o fim de setembro, quando as 198 partes do Acordo de Paris devem ter apresentado suas contribuições.