Política

Lula participa do 7 de setembro em Brasília sem ministros do STF presentes

Cerimônia teve gritos contra anistia, mote “Brasil Soberano” e presença de aliados de Bolsonaro.

07 de Setembro de 2025
Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na manhã deste domingo (7), do desfile de 7 de setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Lula chegou por volta das 9h04 em carro aberto, ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, e foi recebido por autoridades civis e militares. O evento ocorreu sem a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanharam à distância.

Entre os presentes estavam os chefes das Forças Armadas, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ministros do governo, como Rui Costa (Casa Civil), Ricardo Lewandowski (Justiça), Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente). Parte do público, ao notar Motta na tribuna, entoou gritos de “sem anistia”, em referência ao debate em curso no Congresso.

O mote escolhido para este ano foi “Brasil Soberano”, dividido em três eixos: defesa da soberania nacional, organização da COP30 e obras do novo PAC, além de futuras entregas do governo. A escolha do termo não foi por acaso: desde julho, quando o presidente norte-americano Donald Trump anunciou uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, Lula e aliados passaram a reforçar o discurso de soberania e críticas ao republicano.

No desfile, chamou atenção a presença do ministro do Turismo, Celso Sabino (União-PA), que vestiu o boné distribuído com a inscrição “Brasil Soberano”. Sabino, pressionado pela cúpula do União Brasil a deixar o cargo após o desembarque da sigla do governo, tenta permanecer no ministério. O ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), também esteve na cerimônia, apesar de seu partido ter aderido ao movimento de afastamento da base governista.

A ausência dos ministros do STF foi interpretada como um gesto de distanciamento em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de envolvimento na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. O processo teve início em 2 de setembro, com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes. A partir de terça-feira (9), a Primeira Turma da Corte deve iniciar a fase de votação.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, acusado de violar medidas restritivas anteriores. Ele pode enfrentar pena de até 43 anos de prisão, caso condenado. Além disso, já está inelegível devido a uma condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político.

Paralelamente, avança na Câmara dos Deputados a discussão sobre uma possível anistia para condenados pelos ataques de 8 de janeiro. O tema divide o Parlamento: enquanto o PL e setores do Centrão pressionam pela aprovação, aliados de Lula rejeitam a proposta. A base bolsonarista defende uma anistia ampla, que inclua o ex-presidente, enquanto setores do Senado discutem um texto mais restritivo, que reduz penas, mas não extingue condenações.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, tem sido alvo de pressões para pautar o tema, inclusive do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que esteve em Brasília para articular a votação. Até o momento, não há definição sobre o texto que poderia ser levado ao plenário.

O governo Lula se posiciona contra qualquer forma de anistia e aposta na mobilização social para barrar a medida. Durante o desfile, os gritos de “sem anistia” ecoaram como recado direto ao Congresso, reforçando a tensão política que permeou a comemoração da independência em Brasília.

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