Sexta-Feira, (30 de Outubro de 2026)
Política

Lula terá agenda internacional decisiva antes de iniciar quarto mandato presidencial

Presidente deve participar da COP31, do G20 e de encontros do Mercosul, enquanto enfrenta desafios diplomáticos com Donald Trump e governos da América Latina.

Por: Portal Amz em Pauta
30 de Outubro de 2026
Foto: Terra | Arquivo de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá uma série de compromissos internacionais antes de encerrar seu terceiro mandato, em dezembro de 2026. Reeleito no segundo turno das eleições presidenciais, o petista pretende participar de encontros relacionados ao clima, à economia e à integração regional, incluindo a COP31, na Turquia, e a Cúpula do G20, nos Estados Unidos. A agenda ocorre em meio às divergências diplomáticas com o governo de Donald Trump e à necessidade de ampliar as relações comerciais e políticas do Brasil com outros países.

Um dos principais compromissos previstos é a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que será realizada entre 9 e 20 de novembro, na cidade de Antália, na Turquia. Durante o encontro, o Brasil deixará a presidência da conferência, assumida após sediar a COP30, em Belém, no Pará, em 2025. A Turquia ficará responsável pela presidência da nova edição, enquanto a Austrália conduzirá as negociações climáticas internacionais.

A participação brasileira terá importância para a continuidade das discussões sobre financiamento climático, proteção das florestas e redução das emissões de gases de efeito estufa. Depois de receber representantes de diversos países na Amazônia, o governo brasileiro buscará preservar sua atuação nas negociações ambientais e acompanhar a implementação dos compromissos assumidos anteriormente.

A agenda também prevê a participação de Lula em encontros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nas Filipinas, além da Cúpula do Mercosul, marcada para 4 de dezembro, em Montevidéu, no Uruguai. Os compromissos fazem parte da estratégia de fortalecer parcerias comerciais e ampliar a presença do Brasil em fóruns multilaterais. As viagens, entretanto, ainda dependem de confirmação definitiva do Palácio do Planalto.

Outro evento importante será a Cúpula do G20, prevista para dezembro, na Flórida, nos Estados Unidos. O encontro reunirá representantes das maiores economias mundiais e poderá abrir espaço para um novo contato entre Lula e Donald Trump. A relação bilateral é considerada um dos principais desafios da política externa brasileira no próximo mandato, especialmente diante de divergências comerciais e políticas.

Entre os assuntos pendentes estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Os dois governos retomaram as negociações após uma conversa telefônica entre Lula e Trump, em agosto. Em setembro, representantes dos países também se reuniram na Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir as barreiras comerciais e possíveis alternativas para reduzir os conflitos econômicos.

A relação ganhou um novo elemento de tensão após a chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. Derrotado nas eleições presidenciais, o parlamentar deixou o Brasil e passou pela Argentina antes de desembarcar em território americano, onde questionou o resultado eleitoral sem apresentar provas. O governo Trump concedeu autorização humanitária para sua permanência no país, episódio que acrescentou novas questões à relação diplomática entre Brasília e Washington.

Além dos Estados Unidos, o governo brasileiro terá de administrar diferenças políticas com presidentes de países vizinhos, incluindo Javier Milei, da Argentina. Apesar das divergências, a expectativa é manter canais de negociação em temas como comércio, infraestrutura, segurança nas fronteiras e combate ao crime organizado.

A segurança pública também deverá ocupar espaço nas discussões internacionais. O governo Lula pretende fortalecer a cooperação com outros países no enfrentamento ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e às organizações criminosas transnacionais. Internamente, o presidente defende a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada ao avanço de mudanças legislativas e à reorganização da estrutura federal.

 

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