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Lula viaja ao Japão e Vietnã para estreitar relações comerciais

Presidente buscará avanço em acordos com Mercosul e fortalecerá parceria estratégica com o Vietnã

15 de Marco de 2025
Foto: Marcelo Casal Jr / Agencia Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará ao Japão e ao Vietnã entre os dias 24 e 29 de março. No Japão, Lula negociará a abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira, uma demanda histórica do Brasil. Além disso, o presidente buscará avançar nas negociações para um acordo comercial entre o Japão e o Mercosul. 

No Vietnã, o presidente Lula discutirá um plano de ação para elevar o país a parceiro estratégico do Brasil, um nível de relação superior ao atual. Atualmente, a Indonésia é o único país do Sudeste Asiático que tem essa categoria de parceria com o Brasil. 

O Japão será o primeiro destino da viagem. Lula chega ao país no dia 24 de março. O encontro foi tratado pelo Itamaraty como uma prova do prestígio que o governo japonês concede ao Brasil, já que os japoneses limitam as visitas de chefes de Estado estrangeiros a uma por ano. A última visita oficial de um chefe de Estado ao Japão foi em 2019, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve no país. “Isso dá uma indicação da importância dessa relação que já completa 130 anos”, afirmou o embaixador Eduardo Paes Saboia, atual secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores (MRE). 

O Japão é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, atrás apenas da China, e o 11º maior parceiro comercial globalmente. Além disso, o Japão abriga a quinta maior comunidade de brasileiros no exterior, com 200 mil pessoas. O país também é o nono maior investidor no Brasil, com estoque de US$ 35 bilhões em 2023, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. 

Carne bovina e Mercosul 

De acordo com o Itamaraty, um dos objetivos da viagem é obter um compromisso político do Japão para que envie uma missão técnica das autoridades sanitárias japonesas ao Brasil para inspecionar as condições de produção de carne bovina. Esse seria um passo necessário para o Brasil acessar o mercado de carne bovina japonês. Em maio de 2024, durante a visita do primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, ao Brasil, o presidente Lula reforçou essa reivindicação. 

O Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome, o que representa cerca de US$ 4 bilhões por ano. Desse total, 80% são importados dos Estados Unidos e da Austrália, aliados históricos do Japão. Desde 2005, o Brasil tenta, sem sucesso, entrar no mercado japonês de carne bovina. 

O embaixador Eduardo Saboia também mencionou que outro objetivo da viagem é avançar nas negociações para um acordo Mercosul-Japão. "A visita do presidente tem o interesse de avançar nessa área. Claro que não depende apenas do Brasil, depende também do Japão. Os parceiros do Mercosul têm sido bastante favoráveis a esse acordo", acrescentou Saboia. 

Vietnã 

Após o Japão, o presidente Lula seguirá para o Vietnã, onde chegará no dia 28 de março. O Vietnã se tornou o quinto maior consumidor dos produtos agropecuários brasileiros. Um dos principais objetivos da visita é consolidar as etapas necessárias para elevar o Vietnã a parceiro estratégico do Brasil. 

“A elevação das relações diplomáticas com o Vietnã ao nível de parceria estratégica possibilitará aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica, intensificar o fluxo de comércio e os investimentos”, explicou o Itamaraty. 

Desde o início de seu terceiro mandato, esta será a terceira reunião entre o presidente brasileiro e o primeiro-ministro do Vietnã, Pham Minh Chinh. Os dois se encontraram em setembro de 2023, em Brasília, e em novembro de 2024, na cúpula do G20, no Rio de Janeiro. 

Em 2024, o comércio entre Brasil e Vietnã alcançou US$ 7,7 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 415 milhões. Em 2002, durante a última visita de Lula ao país, o volume de comércio era de apenas US$ 500 milhões. "A ideia é chegar à meta de US$ 15 bilhões em volume de comércio. A expectativa é de abertura desses mercados e isso se dá em um contexto mais amplo de aproximação do Brasil com nações do sudeste asiático", completou o embaixador Saboia. 

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