Política

Lulinha e Vorcaro ampliam pressão sobre Lula e Flávio na disputa presidencial

Casos envolvendo familiares, aliados e investigações recentes influenciam o ambiente eleitoral a menos de cinco meses da votação.

Por: Portal Amz em Pauta
24 de Maio de 2026
Foto: Reprodução

A menos de cinco meses do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam desgastes provocados por crises políticas que atingem seus respectivos campos. Enquanto o presidente tenta reduzir os impactos das suspeitas envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o senador do PL passou a ser pressionado pelas revelações sobre sua ligação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e antigo dono do Banco Master.

No entorno de Lula, a preocupação cresceu após o avanço das investigações da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal. A apuração revelou um esquema de desvios em repasses de benefícios pagos a aposentados e pensionistas do INSS. Com a repercussão do caso, o Congresso instalou uma CPMI para acompanhar as investigações e apurar a possível participação de empresários, lobistas e agentes públicos.

Desde o início do ano, o PL tenta usar o caso como instrumento político contra o presidente. A oposição passou a associar Lula às suspeitas envolvendo Lulinha, principalmente depois que a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho do presidente. Antes disso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, já havia autorizado a medida.

Dentro do PT, a avaliação é de que adversários tentam reativar uma narrativa de corrupção ligada ao círculo familiar do presidente. Como reação, aliados de Lula passaram a comparar, nas redes sociais, a forma como o petista trata as suspeitas contra o filho com a postura de Jair Bolsonaro em episódios envolvendo Flávio Bolsonaro. O próprio Lula procurou se distanciar do caso ao afirmar que, “se tiver alguma coisa”, Lulinha terá que “pagar o preço”.

Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro também viu sua pré-campanha ser atingida por novas revelações sobre o Banco Master. Inicialmente, aliados do senador buscavam ligar o escândalo ao governo Lula, citando nomes próximos à esquerda mencionados nas apurações. No entanto, o caso também alcançou figuras do bolsonarismo, após reportagens apontarem doações milionárias de investigados ligados ao banco a campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

A crise ganhou força com a divulgação de conversas em que Flávio Bolsonaro negocia um repasse de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador também confirmou ter se reunido com o ex-banqueiro após a prisão dele, em novembro de 2025, no âmbito da operação Compliance Zero. Flávio afirmou que o encontro serviu para encerrar as tratativas sobre o financiamento da produção.

As revelações provocaram desconforto dentro do PL e aumentaram as dúvidas sobre os efeitos da crise na campanha presidencial. Embora parte dos bolsonaristas tenha saído em defesa de Flávio nas redes sociais, integrantes do partido passaram a admitir preocupação com o risco de desgaste eleitoral e com a possibilidade de a crise afetar também a formação de uma bancada forte no Congresso Nacional.

O impacto político apareceu nas pesquisas divulgadas na última semana. Levantamento Datafolha publicado na sexta-feira, 22 de maio, mostrou Lula com 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O resultado alterou o cenário registrado em levantamento anterior, de 13 de maio, quando os dois apareciam numericamente empatados com 45%, reforçando a percepção de que as crises recentes passaram a pesar sobre a disputa presidencial.

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