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Maduro denuncia ofensiva dos EUA e alerta OPEP sobre riscos ao petróleo venezuelano

Carta enviada à organização acusa Washington de ameaçar a soberania e a estabilidade energética.

01 de Dezembro de 2025
Foto: Federico Parra / AFP

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) denunciando o que classificou como uma incursão militar dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico. Segundo ele, o objetivo das ações norte-americanas seria se apoderar das “vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do planeta, por meio do uso de força militar letal”.

A correspondência, enviada no domingo (30) e divulgada pela Telesur, foi dirigida ao secretário-geral Haitham Al Ghais, durante reunião do comitê de monitoramento da OPEP e OPEP+.

Na carta, Maduro afirmou que o destacamento dos EUA inclui “mais de 14 navios de guerra e 15 mil soldados”, além de “mais de 20 bombardeios a pequenas embarcações que resultaram na execução extrajudicial de mais de 80 pessoas”. O presidente venezuelano classificou as repetidas ameaças de “uso da força” como violações à Carta da ONU e ao direito internacional, e pediu que os países produtores considerem as consequências de intervenções semelhantes, citando Iraque e Líbia como exemplos.

Maduro alertou que tais ações representam uma “grave ameaça à estabilidade da produção de petróleo venezuelana e ao mercado global”, afirmando que o governo continuará defendendo seus recursos energéticos e rejeitando “qualquer tipo de chantagem ou ameaça”.

Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse para “não tirarem conclusões” sobre sua publicação em que orientou companhias aéreas a considerarem o espaço aéreo da Venezuela “fechado”. O comentário foi interpretado como sinal de possível ataque, mas ao ser questionado no Air Force One, Trump evitou detalhar sua posição, afirmando que a decisão se deve ao fato de que a Venezuela “não é nada amigável”. Segundo o presidente americano, “eles enviaram milhões de pessoas, provavelmente um número ainda maior”, incluindo “pessoas que não deveriam estar em nosso país”.

Trump também afirmou que seu alerta é destinado a pilotos, narcotraficantes e traficantes de pessoas. Em 21 de novembro, a Administração Federal de Aviação havia emitido comunicado advertindo sobre riscos para aeronaves devido ao agravamento da segurança e ao aumento da atividade militar na região.

Durante a mesma entrevista, Trump confirmou ter falado por telefone com Maduro, mas disse que “não queria comentar”, limitando-se a afirmar: “Foi uma ligação telefônica”.

A imprensa dos Estados Unidos informou que um ultimato teria sido apresentado ao líder venezuelano, conforme reportagens do New York Times e do Wall Street Journal. Já o Miami Herald afirmou que Trump teria oferecido passagem livre para Maduro e sua família deixarem o país, caso renunciasse. Nas últimas semanas, ambos os governos vinham sinalizando abertura para diálogo, ainda que em meio a acusações e tensões crescentes.

Os rumores sobre a possível fuga de Maduro se intensificaram após dias sem aparições públicas e após o avião presidencial deixar o país. No entanto, o líder venezuelano reapareceu no domingo (30) em um evento de premiação de cafés nos arredores de Caracas, onde conversou com produtores e provou amostras, sem mencionar a crise política atual. A aparição ocorreu no mesmo dia em que Trump confirmou a ligação telefônica, episódio que Maduro ainda não comentou.

Desde setembro, as forças armadas dos EUA realizaram ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas internacionais, resultando em ao menos 80 mortes. Washington afirma que muitas dessas embarcações partiram da Venezuela, enquanto Maduro sustenta que os navios eram de pescadores e que as ações representam uma violação da soberania nacional.

Autoridades venezuelanas reiteraram que as investidas americanas têm motivações econômicas. A ministra Delcy Rodríguez declarou que “eles querem as reservas de petróleo e gás da Venezuela. De graça, sem pagar nada. Eles querem o ouro da Venezuela. Eles querem os diamantes, o ferro e a bauxita da Venezuela. Eles querem os recursos naturais da Venezuela”.

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