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Maduro promulga lei de defesa e mobiliza tropas diante de tensão com EUA

Nova legislação fortalece comando militar da Venezuela enquanto porta-aviões americano chega à região.

12 de Novembro de 2025
Foto: Zurimar Campos / AFP

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, promulgou uma nova legislação voltada a consolidar a estrutura de segurança e defesa nacional do país. A chamada Lei do Comando para a Defesa Integral da Nação foi apresentada como um instrumento para integrar as forças armadas e garantir a soberania venezuelana em um contexto de crescente tensão com os Estados Unidos.

Segundo Maduro, a medida tem como objetivo institucionalizar a rede de organizações criadas dentro do conceito de Defesa Integral. “A Assembleia Nacional aprovou a Lei que institucionaliza toda a rede de organizações que surgiram em conexão com o desenvolvimento do conceito de Defesa Integral da Nação”, declarou o presidente durante um discurso televisionado nesta terça-feira (11).

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o maior porta-aviões dos Estados Unidos chegou à América Latina. Segundo o governo americano, a presença da embarcação na região tem o objetivo de colaborar em ações contra o tráfico de drogas no Pacífico e no Caribe. Até agora, as operações americanas já deixaram quase 80 mortos.

Pouco antes do pronunciamento, as Forças Armadas venezuelanas iniciaram uma mobilização “massiva” em todo o território nacional, como parte da ação denominada Independência 200, apresentada como resposta às “ameaças imperiais” dos EUA. O comunicado oficial do Ministério da Defesa descreve o emprego de “meios terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis; sistemas de armas, unidades militares, milícia bolivariana”, além da integração de forças policiais ao esforço de defesa.

Estratégia de resistência e defesa territorial

Fontes da agência Reuters detalharam que o governo venezuelano vem estruturando um plano de resistência caso ocorra uma incursão militar dos Estados Unidos. O plano envolve duas fases principais. A primeira, chamada resistência prolongada, prevê a atuação de unidades militares em pequenos grupos espalhados pelo país, realizando táticas de guerrilha.

A segunda fase, conhecida como plano da anarquia, incluiria ações de desordem nas ruas, especialmente em Caracas, para dificultar a tomada do poder por um eventual governo apoiado pelos EUA. De acordo com as fontes, o objetivo seria compensar a inferioridade bélica e numérica frente às forças americanas.

No entanto, alguns militares ouvidos pela Reuters reconhecem que as chances de sucesso seriam mínimas. Um deles afirmou que a resistência “não duraria nem duas horas em uma guerra convencional”, enquanto outro avaliou que o país “não está preparado ou profissionalizado para um conflito”.

Apoio russo e risco de escalada militar

Na semana passada, a Rússia manifestou, pela primeira vez de forma explícita, disposição para “atender aos apelos da Venezuela por ajuda”, segundo a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova. Ela não especificou se esse apoio incluiria o envio de tropas, armas ou tecnologia militar, mas ressaltou que Moscou “tenta evitar uma escalada militar de tensões na América Latina que não seria boa para ninguém”.

Maduro já teria solicitado diretamente ao presidente russo, Vladimir Putin, o fornecimento de novos equipamentos bélicos, incluindo caças Sukhoi, radares de mísseis e armamentos de última geração. O jornal britânico The Telegraph noticiou que o Kremlin estuda enviar à Venezuela seus mísseis hipersônicos Oreshnik, capazes de transportar ogivas convencionais e nucleares e considerados impossíveis de interceptar.

O vice-presidente da comissão parlamentar de defesa da Rússia, Alexei Zhuravlyov, reforçou a disposição de cooperação militar. “Não vejo obstáculos para fornecer a um país amigo novos desenvolvimentos como o míssil Oreshnik ou, digamos, os mísseis Kalibr, que já provaram ser eficazes”, afirmou ao site russo Gazeta.Ru.

De acordo com autoridades russas, o Oreshnik é capaz de atingir qualquer alvo no continente europeu em menos de uma hora e, a partir do território venezuelano, poderia alcançar partes dos Estados Unidos.

Escalada regional

A presença militar dos EUA no Mar do Caribe e em áreas próximas à Venezuela vem aumentando nos últimos meses. Washington tem deslocado caças, bombardeiros, drones, navios de guerra e fuzileiros navais sob a justificativa de combater o tráfico de drogas.

A promulgação da nova lei de defesa e a mobilização militar venezuelana marcam mais um capítulo da crescente tensão entre Caracas e Washington, reacendendo preocupações internacionais sobre a possibilidade de um confronto direto na América Latina.

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