Amazonas

Mais de 50 policiais militares estão presos no Amazonas por crimes graves

Parte dos agentes ainda não foi julgada, mas segue recebendo salários da SSP-AM

04 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

O Amazonas registra atualmente mais de 50 policiais militares presos por crimes como homicídio, ameaça e outros delitos graves. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), são 53 PMs em atividade e seis ex-militares nessa condição. Parte deles ainda aguarda julgamento, mas continua recebendo salários regularmente.

O policial com mais tempo de prisão foi detido em 2020 por homicídio. Entre os detidos, 22 respondem pelo mesmo tipo de crime, incluindo um militar que cumpre pena de 37 anos, a maior aplicada até o momento.

Somente em 2024, a Polícia Militar instaurou 139 investigações internas na Diretoria de Justiça e Disciplina e outras 68 apurações na Corregedoria do Sistema de Segurança Pública. No total, são 207 procedimentos para apurar a conduta de policiais suspeitos de infrações.

Apesar da existência de vídeos, testemunhas e outras evidências, os militares só são formalmente denunciados após a apresentação de acusação pelo Ministério Público Militar. Esse processo retarda as punições e dificulta a responsabilização efetiva.

De acordo com o promotor de Justiça Militar Igor Starling, a legislação é um dos fatores que explicam as absolvições frequentes. Ele destacou que o Código de Processo Penal Militar exige que as provas obtidas em investigação sejam confirmadas em juízo, garantindo contraditório e ampla defesa.

Enquanto aguardam julgamento, 36 policiais presos continuam recebendo salários pagos pela SSP-AM. A suspensão só ocorre com determinação judicial, e o governo estadual não informou o custo exato dessa despesa aos cofres públicos.

O comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Klinger Paiva, minimizou o impacto dos casos, afirmando que os policiais presos representam menos de 0,5% do efetivo total. Segundo ele, a maior parte da tropa é formada por profissionais que arriscam a vida diariamente para proteger a sociedade.

Mesmo assim, especialistas em segurança e entidades de direitos humanos defendem maior rigor na apuração dos casos, além de medidas que garantam transparência e evitem o pagamento de salários a policiais afastados por crimes graves, sob risco de abalar a confiança da população na corporação.

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