Sexta-Feira, (16 de Outubro de 2026)
Manaus

Manaus registra pior qualidade do ar entre capitais brasileiras nesta sexta-feira

Fumaça das queimadas agrava poluição na capital amazonense, provoca suspensão de aulas e mobiliza autoridades de saúde e equipes de combate aos incêndios.

Por: Portal Amz em Pauta
16 de Outubro de 2026
Foto: REUTERS / Bruno Kelly

Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras na manhã desta sexta-feira (16), devido à intensa fumaça provocada pelas queimadas na região amazônica. Por volta das 6h, a plataforma internacional IQAir apontou índice de qualidade do ar de 167, classificado como insalubre. O agravamento da poluição levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino e na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), enquanto autoridades intensificam o monitoramento dos impactos à saúde da população.

Dados do sistema eletrônico de vigilância ambiental da UEA também indicaram condições preocupantes em diferentes regiões da cidade. Na maior parte de Manaus, a qualidade do ar variava entre as classificações muito ruim e péssima. No bairro Aleixo, zona centro-sul, a concentração de partículas finas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³), enquanto no Tarumã, zona oeste, o índice registrado foi de 39 µg/m³, considerado moderado.

A fumaça que encobre a capital é resultado de queimadas registradas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. As partículas liberadas pelos incêndios podem permanecer suspensas na atmosfera por vários dias e ser transportadas pelo vento a longas distâncias. A falta de chuvas também contribui para a concentração dos poluentes, agravando as condições respiratórias da população.

Diante do cenário, a Prefeitura de Manaus decidiu manter suspensas as atividades presenciais nas escolas municipais nesta sexta-feira, como medida preventiva para proteger estudantes e profissionais da educação. A Universidade do Estado do Amazonas também interrompeu as aulas e demais atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, tanto na capital quanto no interior, durante os três turnos. Parte das atividades administrativas passou a funcionar remotamente.

O agravamento da poluição também mobilizou o Ministério da Saúde. Segundo a pasta, 12 municípios amazonenses foram identificados como necessitados de algum tipo de apoio nos serviços de saúde. Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), em conjunto com autoridades estaduais e municipais, realizam levantamentos para avaliar a capacidade de atendimento e identificar possíveis necessidades emergenciais.

Entre as ações estão o monitoramento do consumo e da disponibilidade de oxigênio nas unidades de saúde, incluindo os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). A preocupação é garantir que a rede esteja preparada para atender pacientes com complicações provocadas pela exposição à fumaça. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis.

No combate às queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que já extinguiu 303 focos de incêndio no Amazonas desde o início das operações. Para reforçar os trabalhos, foram disponibilizadas 11 aeronaves, incluindo helicópteros, aviões Air Tractor e um KC-390 mobilizado pelo Ministério da Defesa para apoiar as ações de combate ao fogo.

A gravidade da situação levou o governo do Amazonas a decretar, no dia 10 de outubro, situação de emergência em aproximadamente 36 municípios afetados pelas queimadas. A medida ocorre em meio ao avanço dos incêndios florestais e à preocupação com os impactos ambientais e sanitários em diferentes regiões do estado.

Enquanto a fumaça permanece sobre Manaus, a população deve redobrar os cuidados, evitando exercícios físicos ao ar livre e reduzindo a exposição prolongada à poluição, especialmente nos horários de maior concentração de partículas. A continuidade do monitoramento e das operações de combate aos incêndios será fundamental para reduzir os riscos à saúde e melhorar as condições atmosféricas na capital amazonense.

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