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Mapeamento inédito revela áreas livres de gelo e vegetação na Antártica

Estudo brasileiro identifica 2,4 milhões de hectares expostos e detalha saúde da flora polar.

01 de Dezembro de 2025
Foto: Ana Nascimento / Agência Brasil

Menos de 1% do território antártico está livre de gelo, e pela primeira vez essas áreas e suas coberturas vegetais foram mapeadas com precisão. De acordo com o estudo MapBiomas Antártica, o continente soma 2,4 milhões de hectares expostos, dos quais 107 mil apresentam vegetação durante o verão austral.

A pesquisa foi desenvolvida por uma iniciativa científica brasileira usando imagens de satélites, algoritmos de machine learning e processamento em nuvem, devido ao grande volume de dados.

A coordenadora do mapeamento, Eliana Fonseca, afirma que o levantamento é fundamental para monitorar os efeitos das mudanças climáticas e compreender o impacto global das transformações no continente.

“O mapa de áreas livres de gelo é essencial para o monitoramento da fauna, enquanto o de vegetação permite avaliar a produtividade dos ecossistemas e identificar regiões sensíveis”, explicou. O estudo analisou ainda a saúde e a densidade da vegetação por meio de indicadores de sensoriamento remoto.

Durante o verão, crescem musgos, algas terrestres e gramíneas nas áreas expostas. Já os líquens ocupam rochas tanto no litoral quanto no interior. O estudo também identificou semelhanças entre essa flora e a presente em biomas brasileiros, como Pampa e Caatinga, onde espécies semelhantes formam crostas biológicas do solo.

A Antártica, berço das frentes frias, influencia diretamente o clima do Hemisfério Sul, afetando temperatura, volume e frequência de chuvas no Brasil.

A pesquisa só foi possível com a operação dos satélites Sentinel-2 na órbita polar, capazes de captar imagens de alta resolução. Os registros, feitos entre 2017 e 2025, cobrem apenas o verão austral, período de maior luminosidade e ocorrência do fenômeno “sol da meia-noite”, que projeta longas sombras das cadeias montanhosas. Segundo a coordenadora científica do MapBiomas, Júlia Shimbo, as próximas versões devem incluir mais variáveis e ampliar a participação de pesquisadores da Antártica.

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