Complexo esportivo entra em lista de bens públicos que podem ser privatizados
O Complexo do Maracanã pode ser colocado à venda pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, após aprovação da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa (Alerj), na última quarta-feira (22). A decisão inclui o conjunto esportivo na relação de imóveis estaduais que podem ser alienados para reforçar o caixa público.
A medida faz parte da estratégia do governo fluminense para aderir ao Propague, programa federal que possibilita a renegociação de dívidas de estados e municípios. No caso do Rio, o passivo com a União é estimado em R$ 200 bilhões, e a venda de ativos como o Maracanã é vista como alternativa para viabilizar o acordo financeiro.
O texto que autoriza a negociação dos bens foi enviado pelo Executivo à Alerj e passou por modificações durante a análise. A proposta original retirou 16 imóveis e acrescentou outros 30, entre eles o icônico estádio localizado na zona norte da capital, símbolo do futebol brasileiro e palco de grandes eventos internacionais.
O Complexo do Maracanã engloba, além do estádio principal, o Ginásio do Maracanãzinho, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare. A possível privatização desperta preocupação entre setores esportivos e torcedores quanto ao futuro desses espaços públicos.
Atualmente, o Maracanã está sob concessão compartilhada de Flamengo e Fluminense por um período de 20 anos. O contrato prevê investimentos contínuos em modernização e manutenção da estrutura, que recebe jogos, shows e competições de grande porte.
Caso a venda seja aprovada, o governo deverá definir como ocorrerá a transição do modelo de gestão atual e quais garantias serão oferecidas para preservar o uso esportivo do local. A expectativa é que o tema volte ao plenário da Alerj para deliberação nas próximas semanas, com possibilidade de ampliar o debate sobre o destino de um dos maiores símbolos do esporte mundial.