Estudo busca restaurar produção de dopamina e retardar avanço da doença.
Médicos testam implante de células-tronco para tratar Parkinson nos EUA.
Cientistas da Keck Medicine, da Universidade do Sul da Califórnia, iniciaram um ensaio clínico experimental para avaliar o implante de células-tronco no cérebro como alternativa no tratamento da doença de Parkinson. A pesquisa é conduzida nos Estados Unidos e pode representar um avanço no cuidado com pacientes que convivem com a enfermidade.
O estudo testa o implante de células-tronco cultivadas em laboratório diretamente no cérebro, com o objetivo de restaurar a produção de dopamina, substância química cuja deficiência provoca os principais sintomas do Parkinson. Atualmente, os tratamentos disponíveis apenas aliviam os sintomas, sem interromper a progressão da doença.
A escassez de dopamina, mensageiro químico essencial para o controle do movimento, da memória e do humor, está associada a tremores, rigidez muscular e lentidão motora, características comuns da condição neurológica, que evolui de forma gradual ao longo do tempo.
A nova abordagem utiliza células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), produzidas a partir de células adultas, como as da pele ou do sangue, que são reprogramadas para se transformar em neurônios produtores de dopamina. “Acreditamos que essas células podem amadurecer de forma confiável e oferecer a melhor chance de reiniciar a produção de dopamina no cérebro”, afirmou Xenos Mason, neurologista da Keck Medicine e copesquisador do estudo.
Durante o procedimento cirúrgico, os médicos realizam uma pequena abertura no crânio e, com auxílio de imagens de ressonância magnética em tempo real, implantam as células nos gânglios basais, região responsável pelo controle dos movimentos. Após a cirurgia, os pacientes são acompanhados por um período entre 12 e 15 meses para avaliação de melhorias motoras e possíveis efeitos colaterais.
“Se o cérebro puder produzir níveis normais de dopamina novamente, a doença de Parkinson pode ser retardada e a função motora restaurada”, explicou o neurocirurgião Brian Lee, investigador principal do ensaio clínico.
A terapia, denominada RNDP-001 e desenvolvida pela Kenai Therapeutics, recebeu o status de “fast-track” da FDA, mecanismo que acelera o processo de avaliação e desenvolvimento do tratamento. A Keck Medicine é um dos três centros nos Estados Unidos que participam do estudo, que envolve 12 voluntários em estágios moderado a grave da doença.
Os pesquisadores esperam que a técnica possa, no futuro, reparar funções motoras comprometidas e oferecer uma melhora significativa na qualidade de vida de pacientes com Parkinson.