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Meta tem 72 horas para esclarecer mudanças em políticas de moderação, diz governo

Governo demonstra preocupação com impacto de novas políticas de controle de conteúdo da Meta nas redes sociais

10 de Janeiro de 2025
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, recebeu uma notificação do governo brasileiro para esclarecer, em até 72 horas, as mudanças em suas políticas de moderação de conteúdo, conforme anunciado pelo CEO Mark Zuckerberg. A notificação será formalizada ainda nesta sexta-feira (10) pela Advocacia-Geral da União (AGU), de acordo com o Palácio do Planalto. 

“Nós apresentaremos uma notificação judicial, e a empresa terá 72 horas para informar o governo brasileiro qual é, de fato, a política da Meta para o Brasil”, informou o advogado-geral da União, Jorge Messias, após uma reunião em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. 

Rui Costa expressou grande preocupação com o anúncio de que a Meta não realizará mais o controle de conteúdo. “Isso impacta de forma muito grande a sociedade brasileira. Impacta nas crianças, quando se fala de conteúdo impróprio e de tráfico de crianças. Impacta na segurança pública, quando se trata de informações que dizem respeito à segurança das pessoas, à prática criminosa”, disse o ministro. Ele também mencionou os riscos de discriminação por raça, credo, gênero e região, e de promoção de discursos de ódio. 

O ministro citou ainda o caso de um vídeo falso criado com inteligência artificial e atribuído ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “As pessoas acabam não conseguindo distinguir o que é verdade do que é mentira. Isso acaba impactando no país, na nação, nas pessoas e na economia. Estamos falando de soberania nacional”, afirmou Costa. 

Diante desse cenário, o governo planeja criar um grupo de trabalho, envolvendo ministérios e o setor de comunicações, para aprimorar a legislação brasileira. “Buscaremos interlocução com as entidades que representam os meios de comunicação em geral, inclusive a imprensa brasileira, buscando manter o princípio fundamental da democracia, que é a total liberdade de expressão. Não se pode ter diferenciação de tratamento entre uma TV que opera no Brasil, sujeita a um conjunto de regulamentos, e alguém que tem o alcance gigantesco [das redes sociais]”, argumentou. 

Porém, o ministro ressaltou que a liberdade de expressão não significa isenção de responsabilidades por crimes cometidos. 

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a sociedade brasileira não ficará à mercê das políticas propostas pela Meta. “Nossa preocupação neste momento é que a empresa venha a público [para se manifestar claramente], já que ela não foi transparente em momento algum.” 

Messias também afirmou que a AGU protocolará, ainda hoje, uma notificação para que a Meta explique suas medidas de proteção a crianças, adolescentes, mulheres e pequenos comerciantes que utilizam a plataforma como um modelo de negócio. “Tem uma série de pessoas que usam frequentemente essa plataforma e que estarão muito vulneráveis pretensamente à nova política. Não sabemos claramente qual é a nova política em razão da ausência de transparência dessa empresa”, concluiu, lembrando que o Brasil possui uma legislação rigorosa para a proteção desses grupos. 

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