Evento em Manaus relembra paralisação histórica que marcou o sindicalismo amazonense
Na próxima segunda-feira (25), metalúrgicos de Manaus se reúnem no Sindicato dos Jornalistas do Amazonas para celebrar os 40 anos da 1ª Greve do Distrito Industrial. O encontro, em formato de Roda de Conversa, terá início às 18h e será marcado pelo resgate das memórias e lutas que moldaram o novo sindicalismo no estado, a partir da paralisação realizada em agosto de 1985.
A greve foi decidida pela própria categoria em assembleia geral que reuniu mais de 5 mil trabalhadores no Campo do Oratório, no bairro Praça 14 de Janeiro, próximo à sede do Sindicato dos Metalúrgicos. Deflagrado em 1º de agosto de 1985, o movimento contou com a adesão de 70% da categoria e se estendeu por oito dias, paralisando total ou parcialmente grandes fábricas como Moto Honda, Sharp, Semp-Toshiba, Philco, Philips, Caloi, Monark, Evadin-Mitsubishi e Gradiente.
O apoio da sociedade civil foi essencial para a sustentação do movimento. Pastorais da Igreja Católica, sindicatos, entidades estudantis e organizações progressistas, como APPAM, ADUA, FETAGRI, Sindicato dos Jornalistas e OAB-AM, se somaram aos trabalhadores, reforçando a legitimidade da luta.
(Foto: Arquivo Histórico)
Para dirigentes da época, a greve representou um marco não apenas sindical, mas também político. “Foi o maior movimento de massas da história do sindicalismo amazonense, justamente quando a ditadura militar agonizava e a Nova República dava seus primeiros passos”, relembra Élson Melo, então diretor do sindicato. Já Ricardo Moraes, presidente da entidade em 1985, destacou que a mobilização foi construída pela base, em um processo coletivo e democrático.
A programação do evento inclui falas de lideranças que participaram diretamente da articulação da greve. Ricardo Moraes abordará a organização da oposição sindical com a Pastoral Operária; Simão Pessoa falará sobre a articulação política para conquistar a direção do sindicato; Élson Melo relembrará a construção e o desenvolvimento da paralisação; e Elias Sereno trará relatos sobre reuniões clandestinas com grupos de bairros formados por operários metalúrgicos.
A abertura será conduzida pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas, Wilson Reis, às 18h. Em seguida, os coordenadores Lindemberg e Núbia Rios destacarão a importância da greve para a conscientização da classe trabalhadora. Após as exposições, às 19h20, haverá uma plenária aberta para perguntas, falas e debates com o público presente.
Quatro décadas depois, a 1ª Greve do Distrito Industrial permanece como referência de mobilização e resistência, lembrada por sua capacidade de unir trabalhadores, fortalecer a democracia e inaugurar uma nova fase do sindicalismo no Amazonas.