Com o episódio, a crise política na Argentina se intensifica, aumentando a pressão sobre o governo Milei
O governo argentino anunciou no sábado (15) uma investigação urgente sobre o lançamento da criptomoeda $LIBRA, promovida pelo presidente Javier Milei nas redes sociais. O ativo digital foi divulgado pelo mandatário ultraliberal, mas sua postagem foi excluída horas depois, em meio a acusações de fraude e manipulação financeira.
Milei fixou uma publicação no X anunciando a criptomoeda como um projeto privado para transações a economia argentina. No entanto, economistas e especialistas do setor criptográfico alertaram rapidamente para possíveis riscos, apontando que o ativo poderia ser um esquema fraudulento ou um golpe de pirâmide.
Após a repercussão negativa, Milei pagou a postagem e alegadamente desconhece os detalhes do projeto antes de divulgá-lo. No mesmo dia, o governo anunciou a criação de uma força-tarefa para investigar a operação da criptomoeda e qualquer possível conduta imprópria, incluindo a do próprio presidente.
Especialistas apontaram que 80% dos tokens de $LIBRA estavam concentrados nas mãos de poucos investidores antes do anúncio de Milei. Após a postagem, o valor disparou para quase US$ 5.000, mas despencou rapidamente quando os primeiros detentores venderam suas participações com lucros milionários.
A manobra, conhecida como "puxada de tapete", ocorre quando investidores iniciais valorizam artificialmente um ativo para atrair compradores antes de venderem suas participações em massa, provocando a queda abrupta do preço. O especialista Javier Smaldone destacou que o caso tem características típicas desse tipo de fraude.
A oposição criticou duramente o envolvimento de Milei na polêmica. O senador Martín Lousteau lembrou que esta é a segunda vez que o presidente promove ativos digitais suspeitos, mencionando seu apoio à plataforma CoinX em 2021, atualmente sob investigação por fraude.
O bloco União pela Pátria, liderado pelos peronistas na Câmara dos Deputados, anunciou que apresentará um pedido formal de impeachment contra Milei. O deputado Maximiliano Ferraro sugeriu a criação de uma comissão especial no Congresso para apurar o caso e determinar responsabilidades.