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Militares da reserva são condenados por tortura durante ditadura no Uruguai cívico-militar

Penas variam entre 11 anos e 15 anos e meio de prisão.

23 de Dezembro de 2025
Foto: Getty Images

Nove militares da reserva foram condenados nesta terça-feira (23), no Uruguai, a penas de prisão que variam entre 11 anos e 15 anos e meio pela detenção ilegal e tortura de um grupo de pessoas na reta final da última ditadura cívico-militar no país.

Indiciados em outubro de 2023, os nove oficiais reformados foram acusados de crimes de privação ilegal da liberdade, abuso de poder e agressão qualificada, por terem detido as vítimas sem mandado judicial e submetido os detidos a tratamento cruel. As condenações foram definidas no julgamento conhecido como “Caso Roslik”.

Os fatos julgados remetem a uma grande operação realizada pelas Forças Armadas uruguaias em 29 de abril de 1980, na cidade de San Javier, quando um grupo de homens, entre eles o médico Vladimir Roslik, foi raptado e torturado. Roslik foi libertado em julho daquele ano, mas permaneceu sob vigilância e ameaças.

Na madrugada de 15 de abril de 1984, Roslik foi novamente raptado em outra operação militar e levado, junto com outras pessoas, ao 9.º Batalhão de Infantaria da cidade de Fray Bentos, onde voltou a ser torturado. Ele morreu no dia seguinte em consequência das agressões sofridas.

O caso de Roslik é conhecido, entre outras razões, por se tratar da última pessoa morta durante a ditadura cívico-militar uruguaia, que durou de 1973 a 1985. A morte, no entanto, não pôde ser imputada neste processo, pois um tribunal de recurso entendeu que a questão já havia sido julgada anteriormente.

Apesar disso, o Ministério Público foi autorizado a investigar todos os acontecimentos relacionados a 1984 envolvendo outras vítimas, assim como a operação de 1980, no contexto da perseguição à colônia de San Javier, localizada no departamento de Rio Negro e reconhecida como a principal comunidade russa do Uruguai.

Nas alegações finais apresentadas na sexta-feira, o procurador especializado em crimes contra a humanidade, Ricardo Perciballe, afirmou que “em abril e maio de 1980, dezenas de pessoas foram ilegalmente privadas da sua liberdade, incluindo adolescentes”. Ele acrescentou que, em 1984, um novo grupo foi detido, incluindo Roslik, que “morreu em consequência da tortura que sofreu”.

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