Pasta questiona faixa etária da produção e determina reavaliação por violência, sexo e linguagem imprópria.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública ajuizou uma ação contra a Netflix envolvendo o filme “Elize: Sombras de uma Mulher”, produção inspirada na história de Elize Matsunaga. O órgão federal questiona a classificação indicativa inicialmente atribuída ao longa e determinou uma nova análise completa da obra.
Segundo a pasta, a produção apresenta elementos considerados incompatíveis com o selo etário anterior, entre eles cenas de violência extrema, conteúdo sexual e linguagem imprópria. A revisão deverá avaliar se a faixa recomendada precisa ser elevada antes da continuidade da exibição ao público.
Dirigido por Vellas e com roteiro de Raphael Montes, o filme reconstrói a trajetória de Elize Matsunaga, condenada em 2016 pela morte do marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga. O crime ocorreu em 2012 e teve ampla repercussão nacional.
A atriz Lorena Comparato interpreta Elize na produção. Em entrevista recente ao site Heloísa Tolipan, ela afirmou que decidiu não manter contato com pessoas envolvidas diretamente no caso real, incluindo a própria Elize Matsunaga.
Lorena também relatou que as filmagens exigiram cuidados emocionais por causa do peso da narrativa. Segundo a atriz, foi necessário estabelecer limites entre a personagem e a vida pessoal para evitar que o conteúdo violento da obra afetasse sua rotina fora do set.
A medida do Ministério da Justiça amplia o debate sobre os critérios usados na classificação de produções baseadas em crimes reais e sobre a responsabilidade das plataformas de streaming na disponibilização desse tipo de conteúdo.
Enquanto a reavaliação da classificação indicativa segue em andamento, o caso adiciona uma nova controvérsia ao lançamento do longa. A produção retrata um dos crimes de maior repercussão no país e agora também passa a ser discutida sob a ótica regulatória e da proteção de públicos mais jovens.