Ministros do STF discutem democracia e responsabilização das big techs; 8 de janeiro foi destaque no debate.
Um dia após Mark Zuckerberg, dono do grupo Meta, anunciar mudanças na moderação de conteúdo de suas plataformas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que o tribunal “não vai permitir que as big techs, as redes sociais, continuem sendo instrumentalizadas, dolosa ou culposamente, ou ainda somente visando lucro, instrumentalizadas para ampliar discursos de ódio, nazismo, fascismo, misoginia, homofobia e discursos antidemocráticos”.
Durante um evento no STF, Moraes reforçou que o Brasil não é uma “terra sem lei” para redes sociais: “As redes sociais não são terras sem lei. No Brasil só continuarão a operar se respeitarem a legislação brasileira, independentemente de bravatas de dirigentes irresponsáveis das big techs.”
A declaração veio após Zuckerberg afirmar que pretende trabalhar com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, para pressionar governos que, segundo ele, perseguem empresas americanas e promovem censura. Zuckerberg também criticou países latino-americanos por, segundo ele, terem “tribunais secretos que podem ordenar que empresas retirem coisas discretamente”.
Histórico de Multas e Regulação
Em outubro, a rede social X, de Elon Musk, pagou uma multa de R$ 28,6 milhões após descumprir ordem de Moraes de bloquear contas específicas. Moraes destacou o desafio de “regulamentar e responsabilizar” as big techs: “Não podemos permitir que gigantes conglomerados, com dirigentes irresponsáveis, acreditem que por terem dinheiro podem mandar no mundo.”
8 de janeiro e Redes Sociais
O ministro também mencionou os atos violentos de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas: “Tudo isso surgiu a partir do momento que no mundo, não só no Brasil, extremistas de direita se apoderaram das redes sociais para nelas ou com elas instrumentalizarem as pessoas no sentido de corroer a democracia por dentro.”
O evento contou com a participação do ministro Gilmar Mendes, que afirmou: “Naquele 8 de janeiro, o extremismo e a intolerância atingiram seu ápice, quando uma turba insana invadiu as sedes dos Três Poderes em Brasília, incitada por ampla mobilização nas redes sociais.”
Gilmar defendeu o chamado “constitucionalismo digital”, que busca equilibrar liberdade de expressão com responsabilidade social no ambiente virtual: “Essa trajetória normativa jamais poderá ser confundida com censura. Não é censura. Representa não apenas uma evolução jurídica, mas constitui a pedra angular sobre a qual se erige uma esfera digital democrática e pluralista.”