O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu um mandado de prisão preventiva para a deputada federal Carla Zambelli após ela fugir do país.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), após a parlamentar deixar o Brasil. A decisão ocorreu após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), em razão de indícios de tentativa de fuga da aplicação da lei penal.
Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por falsidade ideológica. Ela também corre risco de perder o mandato parlamentar, o que deve ser decidido após a conclusão do julgamento dos embargos de declaração.
Segundo Moraes, a viagem de Zambelli à Europa foi uma tentativa clara de se esquivar da Justiça, especialmente diante da proximidade da decisão final no STF. Para o ministro, o comportamento da deputada mostra "inequívoco objetivo de se furtar à aplicação da lei".
A PGR solicitou, além da prisão, a inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol, a suspensão do passaporte e comunicação imediata aos países sobre a situação da parlamentar. O objetivo é impedir que ela permaneça foragida em território estrangeiro.
As primeiras investigações indicam que Zambelli teria deixado o Brasil por uma rota terrestre. A travessia teria ocorrido pela fronteira com a Argentina, em Foz do Iguaçu (PR), com passagem por Puerto Iguazú e embarque posterior para os Estados Unidos.
Em entrevista à Rádio Auriverde, Zambelli alegou que saiu do país para tratar de problemas de saúde e se disse vítima de perseguição judicial. No entanto, o STF já havia condenado a parlamentar por crimes que, segundo a Corte, comprometem a integridade institucional.
O advogado Daniel Bialski, que representava Zambelli, afirmou ter sido informado da viagem e que ela foi motivada por razões médicas. Bialski comunicou posteriormente que deixou a defesa da deputada por "motivos de foro íntimo".
A parlamentar já teve o passaporte apreendido em 2023, mas o documento foi devolvido posteriormente pelo próprio STF. Agora, com a nova decisão, ela pode voltar a ter o documento cancelado e enfrentar prisão internacional, dependendo da atuação da Interpol.
Com a prisão preventiva decretada, a Câmara dos Deputados será notificada e terá que decidir se mantém ou não a medida. Enquanto isso, o caso segue sob investigação e repercussão nacional e internacional.