Audiência no STF é transmitida ao vivo e marca fase final do processo.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu início nesta terça-feira (10/06) ao interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro no âmbito da ação penal que investiga a chamada trama golpista para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022.
Bolsonaro é um dos oito réus do núcleo 1 da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa os envolvidos de planejarem medidas inconstitucionais para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a PGR, o ex-presidente tinha conhecimento da minuta golpista, que previa a decretação de estado de sítio e a prisão de ministros do STF e outras autoridades. Parte das acusações se baseia nos depoimentos prestados em delação premiada pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Durante seu depoimento a Moraes, ocorrido na segunda-feira (9), Mauro Cid afirmou que Bolsonaro presenciou a apresentação do documento golpista e chegou a sugerir alterações, retirando trechos e mantendo apenas a proposta de prisão do ministro Alexandre de Moraes.
Interrogatórios em andamento
Entre os dias 9 e 13 de junho, Alexandre de Moraes conduz os interrogatórios dos oito réus acusados de integrar o chamado "núcleo crucial" da trama golpista.
Já prestaram depoimento:
• Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
• Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
• Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional.
Além de Bolsonaro, ainda serão interrogados:
• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
• Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro da Casa Civil.
Fase final do processo
O interrogatório dos réus representa uma das últimas etapas da ação penal. A expectativa é de que o julgamento definitivo ocorra no segundo semestre de 2025, quando o STF deve decidir pela condenação ou absolvição dos acusados.
Caso sejam condenados, os réus podem enfrentar penas superiores a 30 anos de prisão. A audiência está sendo transmitida ao vivo pela TV Justiça.