Brasil

Morre aos 100 anos a ativista e viúva de Marighella, Clara Charf

Referência na luta pelos direitos humanos e igualdade de gênero, ela estava hospitalizada em São Paulo.

03 de Novembro de 2025
Foto: Divulgação

A ativista brasileira Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, morreu nesta segunda-feira (3), aos 100 anos, de causas naturais. Ela estava hospitalizada havia alguns dias e foi intubada, segundo comunicado da Associação Mulheres Pela Paz, da qual era fundadora e presidenta. 

Para a organização, Clara “deixa um legado de lutas pelos direitos humanos e equidade de gênero”. E continua: 

“Clara foi grande. Foi do tamanho dos seus 100 anos. Difícil dizer que ela apagou. Porque uma vida com tamanha luminosidade fica gravada em todas e todos que tiveram o enorme privilégio de aprender com ela. Vá em paz, querida guerreira.” 

Clara foi uma mulher à frente de seu tempo, marcada por coragem e determinação em meio à repressão da ditadura militar. Companheira de Marighella, enfrentou perseguições e prisões durante o regime, compartilhando dos mesmos ideais de transformação social e justiça. 

Nascida em Maceió (AL), filha de judeus russos que fugiram da Europa, Clara era a mais velha de três irmãos. Seu pai, Gdal, trabalhava como mascate, e a mãe, Ester, morreu de tuberculose aos 40 anos, quando a família vivia em Recife. Diante das dificuldades, Clara mudou-se para o Rio de Janeiro aos 20 anos, onde filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro em 1946. Foi ali que conheceu Marighella, de quem se tornaria companheira de vida e de militância. 

A jovem ativista chegou a trabalhar como comissária de bordo e, desde cedo, participou ativamente da política. Sua união com Marighella consolidou uma trajetória de lutas conjuntas por liberdade e direitos civis durante os anos mais duros da repressão. 

Após o assassinato do marido pela ditadura, Clara partiu para o exílio, inicialmente em Cuba, onde viveu por dez anos. Retornou ao Brasil em 1979, durante o processo de anistia política, e desde então dedicou-se intensamente às causas das mulheres e à defesa dos direitos humanos. 

Em 2005, passou a coordenar o movimento Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo no Brasil, projeto criado na Suíça que buscava a indicação coletiva de mil mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. No país, coube a Clara organizar a seleção de 52 brasileiras engajadas em causas sociais. 

Em 1982, candidatou-se a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), obtendo cerca de 20 mil votos. Mesmo sem se eleger, manteve seu engajamento na luta por um Brasil mais justo e igualitário. 

Ao longo de um século de vida, Clara Charf se tornou símbolo de resistência e inspiração, deixando um legado que atravessa gerações. Sua história é marcada pela defesa incansável da paz, da liberdade e da dignidade humana. 

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