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Morre Bira Presidente, fundador do Cacique e lenda viva do samba carioca

Aos 88 anos, sambista morreu no Rio; velório será na segunda-feira (16)

15 de Junho de 2025
Foto: Divulgação

Morreu na noite do último sábado (14), aos 88 anos, o sambista Ubirajara Félix do Nascimento, conhecido como Bira Presidente, no bairro da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Fundador do Cacique de Ramos e um dos criadores do grupo Fundo de Quintal, ele estava internado no Hospital da Unimed Ferj, tratando de um câncer de próstata e Alzheimer.

A informação do falecimento foi confirmada em uma nota de pesar divulgada nas redes sociais do artista. A perda comoveu músicos, fãs e admiradores do samba em todo o Brasil. O velório acontecerá na segunda-feira (16), no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, das 14h às 16h30.

Bira deixa as filhas Karla Marcelly e Christian Kelly, os netos Yan e Brian e a bisneta Lua. Até o fechamento desta edição, não havia confirmação do local do sepultamento. Desde o anúncio da morte, diversas homenagens têm sido prestadas por artistas, amigos e fãs.

O sambista teve papel fundamental na fundação do Cacique de Ramos, em 1961, na Zona Norte do Rio. A agremiação rapidamente se transformou em um dos principais centros culturais do samba carioca, sendo berço de grandes nomes e movimentos. Em 2005, o Cacique foi reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca.

Na década de 1970, das rodas de samba do Cacique, nasceu o grupo Fundo de Quintal, que Bira ajudou a fundar. A formação original incluía nomes como Jorge Aragão, Almir Guineto e Sombrinha, e foi responsável por uma revolução estética no samba, com a introdução de instrumentos como tantã, banjo e repique de mão.

Ao longo de sua trajetória, o Fundo de Quintal lançou mais de 30 álbuns e se tornou uma referência no gênero. Bira ficou conhecido por seu carisma, sua levada marcante no pandeiro e o famoso "miudinho", um passo de dança que encantava o público nas apresentações ao vivo.

Na quadra do Cacique, em Olaria, dezenas de pessoas prestaram tributo ao sambista neste domingo. A tradicional feijoada do bloco foi cancelada, mas uma roda acústica foi mantida como forma de homenagem. A emoção tomou conta do local, com aplausos e depoimentos tocantes sobre o legado de Bira.

“Perdemos o nosso cacique maior”, afirmou Chula, mestre de bateria da agremiação. “A contribuição dele para a cultura negra e para o samba é imensurável. Vamos seguir levando esse legado adiante, como ele sempre desejou.”

O estivador Francisco Coutinho, de 61 anos, foi ao Cacique em busca de informações sobre o velório e acabou ficando na homenagem. “O bairro está triste, as ruas estão vazias. O Bira era um ícone. Eu vi tudo acontecer aqui. Ele construiu esse legado com amor e alegria.”

Celebridades também se manifestaram nas redes sociais. O cantor Belo escreveu: “Hoje o samba chora. Bira não foi apenas um artista, foi uma revolução cultural.” Thiaguinho afirmou que Bira era “um guia espiritual do samba” e relembrou quando o viu gravar pela primeira vez, em 2003.

Marcelo D2 também prestou sua homenagem: “Obrigado mestre, descanse em paz.” A cantora Ludmilla completou: “Obrigada por toda sua contribuição na história da música brasileira.” O sentimento geral é de perda irreparável, mas também de gratidão por tudo o que Bira representou.

Nascido em 23 de março de 1937, no Rio de Janeiro, Bira teve sua infância no bairro de Ramos e se encantou pelo samba ainda criança. Filho de uma mãe de santo da Umbanda, cresceu entre os tambores dos terreiros e as rodas de choro. Aos sete anos, teve seu “batismo no samba” na Mangueira. E ali começou uma história que marcaria para sempre a cultura popular brasileira.

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