Brasil

Morre fotógrafo Sebastião Salgado, referência mundial da fotografia humanitária, aos 81 anos

Artista brasileiro enfrentava complicações de malária; obra uniu denúncia social e preservação ambiental

23 de Maio de 2025
Foto: Joel Saget / AFP / Arquivo

O renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado morreu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização ambiental fundada por ele e sua esposa, Lélia Deluiz Wanick Salgado. O artista enfrentava problemas de saúde decorrentes de uma malária adquirida nos anos 1990 e vivia em Paris.

"Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora", destaca o comunicado do Instituto Terra.

Nascido em Aimorés (MG) em 8 de fevereiro de 1944, Salgado formou-se em economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) na década de 1960. Posteriormente, concluiu mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade de Paris.

Fotografia 'Serra Pelada' retrata garimpo a céu aberto, em 1986, e foi incluída pelo jornal 'The New York Times' em uma seleção de 25 imagens que definem a modernidade — Foto: Divulgação / Sebastião Salgado

Sebastião Salgado ficou particularmente conhecido por registrar a realidade de trabalhadores de Serra Pelada, no Pará, nos anos 1980, além de desenvolver projetos de longa duração como “Trabalhadores”, “Êxodos” e “Gênesis”, este último dedicado à fotografia da natureza e de povos tradicionais.

Indígenas registrados por Sebastião Salgado - Foto: Sebastião Salgado 

Ele também era embaixador da Boa Vontade do Unicef e recebeu dezenas de prêmios nacionais e internacionais. Dentre eles, estão o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, o Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária, o World Press Photo, e o Praemium Imperiale, considerado o Nobel das artes.

Salgado foi eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992 e, desde abril de 2016, era membro da Academia de Belas-Artes de Paris, pertencente ao Institut de France.

Prêmios recebidos por Sebastião Salgado:

• Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes

• Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária

• Prêmio World Press Photo

• The Maine Photographic Workshop – melhor livro foto-documental

• Membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos

• Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores

• Medalha da Inconfidência

• Medalha de prata Art Directors Club dos Estados Unidos

• Prêmio Overseas Press Club of America

• Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography

• Prêmio Unesco, categoria cultural no Brasil

• 40º Prêmio Jabuti de Literatura – categoria reportagem

• Prêmio Muriqui

• Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

• Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (UFAC)

• Doutor Honoris Causa pela Universidade de Harvard

• Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão

• Praemium Imperiale – considerado o Nobel das artes

O legado de Sebastião Salgado transcende a fotografia. Sua obra é também um apelo pela justiça social, pela dignidade humana e pela preservação ambiental.

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