“Só morre de verdade, quem nunca mais será lembrado” é uma frase dita pelo locutor Leo Batista
Morreu neste domingo (19), aos 92 anos, Léo Batista, ícone do jornalismo esportivo brasileiro, em decorrência de um câncer no pâncreas. Internado desde o último dia 6 de janeiro, o jornalista resistiu por 13 dias antes de seu falecimento. A voz marcante de Léo acompanhou a história da comunicação no país por quase oito décadas.
Nascido em 1932, em Cordeirópolis (SP), João Batista Bellinaso Neto, que atualizou o nome artístico Léo Batista em homenagem à irmã Leonilda, iniciou sua carreira aos 15 anos como locutor de um serviço de alto-falante em sua cidade natal. Ele logo se destacou pela voz única e passou a atuar em rádios como o Clube de Birigui e a Rádio Globo, no Rio de Janeiro, onde recebeu o apelido que marcaria sua trajetória.
A primeira experiência na televisão aconteceu em 1955, quando Léo, a convite de Luiz Mendes, assumiu um programa na TV Rio. Após passar por emissoras como Excelsior, consolidou-se na TV Globo a partir de 1970, sendo precursor de grandes programas esportivos como Esporte Espetacular e Globo Esporte. Além do esporte, apresentou o Jornal Nacional, Jornal Hoje e desfiles de Carnaval.
No Fantástico, Léo Batista deixou um legado marcante ao anunciar os resultados da loteria esportiva ao lado da icônica "zebrinha" e, posteriormente, no quadro Gols do Fantástico. Ele desenvolveu a habilidade de narrar gols de forma única, acompanhando momentos inesquecíveis do futebol brasileiro.
Torcedor do Botafogo, Léo desenvolveu o tempo após assistir ao primeiro jogo de Garrincha, em 1953. Em 2019, foi homenageado com uma cabine de imprensa batizada com seu nome no Estádio Nilton Santos. O clube alvinegro, assim como outras entidades esportivas, lamentou sua morte, destacando seu papel como uma voz que embalou gerações.
Foto: Divulgação
Léo Batista também foi protagonista de momentos históricos no jornalismo. Foi o primeiro a anunciar o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, na Rádio Globo, e, décadas depois, a morte de Ayrton Senna, em 1994, na TV Globo. Ele acompanhou diversas Copas do Mundo, Olimpíadas e corridas de Fórmula 1, tornando-se uma referência no jornalismo esportivo.
Mesmo com o passar dos anos, Léo nunca quis parar. Ele afirmava que só se aposentaria quando não tivesse mais condições de trabalho, mantendo-se ativo até o fim. Em junho de 2024, foi tema da série documental Léo Batista, a Voz Marcante, lançada no Globoplay, celebrando sua longa e brilhante trajetória.
O corpo de Léo Batista será velado nesta segunda-feira (20), no ginásio Oscar Zelaya, em General Severiano, sede do Botafogo. A cerimônia, aberta ao público, será realizada das 14h às 16h30. A CBF determinou um minuto de silêncio em todos os jogos dos estaduais deste fim de semana em homenagem ao jornalista.
A frase que Léo usou para descrever o sucesso de sua carreira ecoa no legado que deixa: “Tem que ter gosto, tem que ter dom e tem que ter treino”. Sua paixão, talento e dedicação o tornaram um dos maiores nomes da comunicação brasileira, deixando saudades e uma história inigualável.
A conquista da Conmebol Libertadores tinha que ser contada e interpretada por você, Léo! Obrigado por dar vida ao NOSSO sonho e por ter emocionado uma legião de botafoguenses pelo país. Para sempre em nossos corações e nas memórias mais bonitas do nosso BOTAFOGO! ??? #BFR pic.twitter.com/fSDQosKOhz
? Botafogo F.R. (@Botafogo) January 19, 2025