Brasil

Morre último sobrevivente de povo indígena isolado no Maranhão

Aurá, de 77 anos, vivia sozinho desde 2014 e faleceu em Zé Doca.

25 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação / Funai

O último sobrevivente de um povo indígena que vivia no estado do Maranhão morreu no último sábado (20). Aurá, de 77 anos, sofria de insuficiência cardíaca e respiratória e faleceu no município de Zé Doca, de acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A morte de Aurá marca o fim de uma trajetória de isolamento e resistência de um povo possivelmente extinto, segundo a instituição.

Aurá foi visto, pela primeira vez, em 1987, ao lado de seu irmão, Auré. Eles pertenciam a um grupo indígena que falava uma língua resultante do tupi-guarani. Os irmãos tiveram contato com outros povos indígenas, como os Parakanã, Assurini, Tembé e Awá-Guajá. Apesar das tentativas de reintegração social e aproximação, eles rejeitaram a comunicação com outros povos.

Auré morreu em 2014. Desde então, Aurá passou a viver sozinho na aldeia Cocal, localizada na Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão. Equipes do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Maranhão, ligado ao Ministério da Saúde, e da Frente de Proteção Etnoambiental Awá, unidade da Funai especializada na proteção de indígenas isolados e de recente contato, acompanhavam o indígena.

Em nota, a Funai lamenta o falecimento de Aurá e “reforça o compromisso de seguir com o trabalho de proteção e valorização dos povos indígenas, especialmente aqueles em situação de isolamento voluntário ou de recente contato”.

A morte de Aurá representa não apenas o encerramento de sua própria história, mas também o desaparecimento de um modo de vida e de uma língua que resistiram por décadas ao contato com a sociedade envolvente. A Funai reforça que continuará atuando para preservar a memória e os direitos dos povos originários.

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