Influenciador é acusado de tentar beijar Tokinho sem consentimento e fazer comentários capacitistas durante transmissão ao vivo em São Paulo.
O influenciador Alexsander José Rodrigues da Silva, conhecido como Moskitão, tornou-se réu na Justiça de São Paulo pelos crimes de importunação sexual e discriminação em razão de deficiência contra Guilherme Ribeiro dos Santos, o Tokinho, que tem nanismo. A denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi aceita pela 26ª Vara Criminal da capital em 21 de julho de 2026. O episódio ocorreu durante uma transmissão ao vivo realizada em agosto de 2025, na Arena Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.
Segundo o Ministério Público, Moskitão se aproximou de Tokinho durante a live e insistiu em entrevistá-lo. A acusação afirma que o influenciador tentou beijar a vítima sem consentimento e fez declarações de teor sexual e discriminatório. Em um dos momentos registrados no vídeo, Moskitão disse: “Eu vou te abusar”. Em seguida, afirmou: “Eu tenho fetiche por deficiente” e, de acordo com a denúncia, voltou a tentar beijar Tokinho.
O MP também relata que Moskitão fez comentários relacionados ao nanismo e utilizou termos considerados ofensivos. Ao ser questionado por Tokinho sobre o que considerava uma deficiência, teria afirmado que se tratava de algo que “não condiz com o normal”. Em outro momento, ocorreu o seguinte diálogo:
Tokinho pediu que o influenciador utilizasse a expressão “pessoa com nanismo”, mas, conforme a acusação, as provocações continuaram. O Ministério Público afirma ainda que Moskitão usou expressões como “micro-ondas” e “viado” ao se referir à vítima. Toda a abordagem foi transmitida ao vivo pela plataforma Twitch e o vídeo posteriormente passou a integrar a investigação.
Após o episódio, Tokinho procurou a Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência. Em uma manifestação publicada nas redes sociais, afirmou ter se sentido constrangido com a situação. “Eu me senti desrespeitado, constrangido”, disse o influenciador na ocasião. Ele também declarou: “Essa pessoa ou qualquer outra pessoa que desrespeita, que joga ódio, compartilha ódio, preconceito, insinua assédio... não pode ficar assim”.
Ao receber a denúncia, o juiz Marcos Vieira de Morais considerou que havia elementos suficientes para o início da ação penal. A Justiça deverá posteriormente definir as audiências em que serão ouvidos Tokinho, Moskitão e representantes das partes. O acusado responde ao processo em liberdade.
A denúncia enquadra Moskitão no artigo 215-A do Código Penal, referente à importunação sexual, e no artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão, que trata de discriminação contra pessoas com deficiência. Caso seja condenado pelos dois crimes, as penas somadas podem variar entre dois e oito anos de reclusão, além de multa. Se for aplicada a previsão específica para discriminação praticada por meio de comunicação social, a punição poderá chegar a dez anos.
O Ministério Público também pediu que a Justiça estabeleça uma indenização mínima de R$ 10 mil por danos causados a Tokinho em caso de condenação. Segundo a denúncia, Moskitão não foi localizado para apresentar sua versão durante a investigação policial, e sua defesa não constava no processo naquele momento.
Em nota, os advogados de Tokinho, Jean Duarte, Thiago Castanho, Ruan Sousa e Joyce Silva, afirmaram que “o recebimento da denúncia representa um importante avanço na busca por Justiça e demonstra que os fatos narrados pela vítima foram tratados com a seriedade que sua gravidade exige pelas instituições responsáveis pela persecução penal”.
Os representantes de Tokinho acrescentaram: “Nenhuma pessoa pode ser transformada em objeto de ridicularização, sexualização ou entretenimento em razão de uma deficiência ou de uma característica física. A liberdade de expressão e a atividade desenvolvida nas redes sociais não afastam o dever de respeito à dignidade humana, à integridade, à liberdade sexual e aos direitos das pessoas com deficiência”.
Moskitão possui mais de 600 mil inscritos no YouTube e produz conteúdos principalmente voltados ao humor e a abordagens de pessoas em eventos. Até a última atualização das informações apresentadas, ele e sua defesa não haviam sido localizados para comentar o caso.