Brasil

MPF denuncia mandante de assassinato de Bruno e Dom Phillips

Rubén “Colômbia” Villar é acusado de ordenar os homicídios e segue preso.

05 de Junho de 2025
Foto: Reuters / Ueslei Marcelino

Três anos após o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta quinta-feira (5) o suposto mandante do crime, Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”. A denúncia foi apresentada ao juízo federal de Tabatinga (AM) pelo procurador Guilherme Diego Rodrigues Leal, com apoio do Grupo de Apoio ao Tribunal do Júri (GATJ).

Colômbia, que é de nacionalidade peruana, já havia sido indiciado pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2023 e está preso preventivamente. Segundo as investigações, ele liderava uma quadrilha envolvida com pesca ilegal e tráfico de drogas na região do Vale do Javari, localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

O MPF afirma que os assassinatos ocorreram porque Bruno e Dom atuavam em ações de educação ambiental junto a comunidades indígenas, contrariando os interesses da quadrilha comandada por Colômbia. O crime aconteceu em 5 de junho de 2022, quando as vítimas desapareceram após passarem pela comunidade de São Rafael, em Atalaia do Norte (AM). Seus corpos foram encontrados dias depois, enterrados na floresta.

Rubén Villar foi preso pela primeira vez em junho de 2022, ao se apresentar espontaneamente à sede da PF em Tabatinga para negar envolvimento nos assassinatos. No entanto, acabou detido por usar um documento falso. Posteriormente, foi solto, mas voltou a ser preso após violar medidas cautelares.

Outros envolvidos e andamento judicial

Colômbia é o nono denunciado no caso. Em 2022, o MPF acusou três homens de serem os executores do duplo homicídio: Amarildo da Costa Oliveira (“Pelado”), Oseney da Costa de Oliveira (“Dos Santos”) e Jefferson da Silva Lima (“Pelado da Dinha”). Em junho de 2024, outras cinco pessoas foram denunciadas por participarem da ocultação dos corpos: Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira.

O MPF pediu que os executores fossem levados a júri popular. A primeira instância aceitou o pedido, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) excluiu Oseney da pronúncia. O MPF recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter essa decisão. Atualmente, Jefferson e Amarildo seguem presos preventivamente, enquanto Oseney cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Sobre as vítimas

Dom Phillips nasceu em 1964, no Reino Unido, e morava no Brasil desde 2007. Atuou como correspondente de veículos internacionais como o The Guardian, com foco na cobertura da Amazônia e da crise ambiental. Ele trabalhava em um livro sobre a região quando foi morto. A obra foi finalizada por amigos e lançada recentemente com o título Como Salvar a Amazônia.

Bruno Pereira, nascido em 1980 no Recife, era servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e conhecido por sua atuação na defesa dos indígenas isolados. Em 2019, foi exonerado da coordenação de indígenas isolados após liderar ações contra o garimpo ilegal.

Desde então, atuava junto à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). No momento do crime, ajudava Dom na coleta de informações para o livro.

A Terra Indígena Vale do Javari, onde ocorreu o crime, é a segunda maior do país e abriga a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo.

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