Ataque ao navio Conscience, atribuído a Israel, provoca incêndio e revolta internacional; ativista brasileiro estaria entre os passageiros.
Um navio que transportava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza foi bombardeado por drones enquanto navegava em águas internacionais próximas a Malta, na manhã desta sexta-feira (2), segundo denúncia da organização Freedom Flotilla Coalition (FFC). O grupo de ativistas, responsável pela missão, acusa Israel de realizar o ataque ao navio Conscience, que estaria desarmado. Um ativista brasileiro estaria entre os ocupantes da embarcação.
De acordo com comunicado da FFC, “drones armados atacaram à frente de uma embarcação civil desarmada duas vezes, causando um incêndio e uma denúncia substancial no casco”. A organização também exigiu que “os embaixadores israelenses devem ser convocados e responder a manifestamente do direito internacional, incluindo o bloqueio em andamento e o bombardeio de nosso embarque civil em águas internacionais”.
O exército de Israel foi procurado pela imprensa internacional, mas se recusou a comentar o incidente.
Mais tarde, o governo de Malta confirmou que o incêndio no navio havia sido controlado e que todos os tripulantes estavam em segurança. “Foi confirmado que toda a tripulação está em segurança, mas se decidiu a embarcar no reboque. Foi fornecida assistência para apoiar os esforços de combate a incêndios no interior", informou o comunicado oficial.
Segundo as autoridades maltesas, havia 16 pessoas a bordo — doze tripulantes e quatro passageiros civis. No entanto, a Freedom Flotilla Coalition afirmou que mais de trinta ativistas de 21 países participavam da missão, entre eles o brasileiro Thiago Ávila, reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos humanos e da causa palestina.
A ativista ambiental Greta Thunberg, em entrevista à agência Reuters, disse que fazia parte do grupo escalado para embarcar na missão. “Há dois meses, nem uma única garrafa de água entrou em Gaza, e é uma fome sistemática de 2 milhões de pessoas”, afirmou. Greta acrescentou que o navio encontra-se ancorado e corre risco de afundar caso seja movido: “Se o movessem, muita água entraria e ele afundaria.”
Nicole Jenes, porta-voz da FFC, classificou o ataque como parte da ofensiva mais ampla contra civis palestinos. “É muito importante entender que este ataque é uma extensão do genocídio que está acontecendo em Gaza e não pode passar impune”, afirmou.
A Coalizão da Flotilha da Liberdade se descreve como uma rede internacional de ativistas pró-Palestina que organiza ações diretas e não violentas para quebrar o bloqueio israelense e fornecer ajuda humanitária à população de Gaza.
Bloqueio a Gaza é criticado por organizações internacionais
Israel impôs um bloqueio rigoroso à Faixa de Gaza há cerca de dois meses, interrompendo a entrada de alimentos, medicamentos, combustível e outros suprimentos essenciais ao território palestino, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas. A medida intensificou-se após a paralisação das negociações com o grupo Hamas sobre um possível cessar-fogo.
O Programa Mundial de Alimentos (PAM) alertou nesta semana que seus armazéns estão vazios e que os poucos produtos disponíveis nos mercados locais estão sendo vendidos a preços exorbitantes, inacessíveis à maioria dos palestinos.
Organizações internacionais têm denunciado o bloqueio como uma violação do direito internacional. Especialistas e instituições humanitárias acusam Israel de utilizar a fome como arma de guerra, o que é considerado crime de guerra sob a Convenção de Genebra.
Com informações da Reuters e Revista Veja.