30 de agosto de 2026
Mundo

Nepal pede esforço global após tragédia causada por geleira

País cobra cooperação internacional diante dos impactos climáticos e amplia ajuda estrangeira nas buscas

Por: Portal Amz em Pauta
30 de Agosto de 2026
Foto: Reuters / Tingshu Wang / Arquivo

O governo do Nepal pediu neste sábado (29) um “esforço global” para enfrentar as alterações climáticas, dias após o colapso de uma geleira no Himalaia provocar uma enxurrada devastadora na fronteira com o Tibete. Segundo as autoridades, ao menos 683 pessoas morreram e cerca de 3 mil seguem desaparecidas. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, afirmou que o país está entre os mais afetados pelo aquecimento global, apesar de responder por uma parcela mínima das emissões mundiais.

Durante coletiva de imprensa, Khanal destacou a vulnerabilidade do Nepal diante das mudanças no clima. “O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas nós, o povo nepalês, estamos entre as principais vítimas das alterações climáticas.” Em seguida, acrescentou: “Apelamos, por isso, à comunidade internacional para que se una na preservação do ecossistema dos Himalaias”.

O desastre ocorreu na quarta-feira, após o colapso de uma geleira provocar uma forte enxurrada de água, lama e detritos através dos rios da região. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) apontou o colapso da massa de gelo como o fator que desencadeou a tragédia. Entre os locais atingidos estão projetos hidroelétricos, onde 933 trabalhadores e funcionários continuam sem ser localizados.

O governo nepalês também pretende investigar as causas do episódio em conjunto com especialistas chineses. Segundo Khanal, Nepal e China já discutiam a criação de um sistema de alerta para regiões vulneráveis antes do desastre. “Estávamos em um processo de discussão para o estabelecer [o sistema de alerta], mas infelizmente este incidente aconteceu”, afirmou.

Especialistas ainda avaliam qual foi a influência direta das alterações climáticas no colapso da geleira. O correspondente ambiental Navin Singh Khadka afirmou que estudos mais detalhados devem esclarecer essa relação. Levantamentos recentes citados por ele apontam que as taxas de degelo nas geleiras do Himalaia dobraram desde 2000.

Diante da dimensão da tragédia, o Nepal também reviu a decisão de impedir inicialmente a entrada de equipes internacionais de busca e resgate nas áreas afetadas. “Recebemos um pedido da comunidade internacional para permitir pelo menos a entrada de equipes de busca e resgate, porque também há cidadãos desses países desaparecidos nas inundações”, explicou o ministro.

Especialistas da Índia, China, Austrália e Coreia do Sul foram autorizados a participar das operações. As equipes têm experiência em resgates em túneis, análises de DNA e exames forenses. “Estamos permitindo um número limitado de especialistas em áreas específicas”, afirmou Khanal.

Com milhares de pessoas ainda desaparecidas, as buscas continuam nas regiões atingidas. Paralelamente, o governo nepalês pretende ampliar a cooperação internacional para melhorar sistemas de monitoramento e alerta e reduzir os riscos provocados pelo degelo acelerado na região do Himalaia.

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