Quarta-Feira, (21 de Outubro de 2026)
Meio Ambiente

Nova espécie de gato selvagem é descoberta após mais de 100 anos

Felino identificado na Bolívia pesa cerca de 1,4 kg e surpreendeu pesquisadores por apresentar características genéticas diferentes das espécies conhecidas.

Por: Portal Amz em Pauta
21 de Outubro de 2026
Foto: Fernando Faciole/National Geographic/Divulgação

A história começou em 2016, quando a bióloga boliviana Paola Nogales-Ascarrunz recebeu uma ligação do santuário Senda Verde sobre um felino considerado incomum. Inicialmente, o animal chegou a ser confundido com outras espécies de pequenos gatos selvagens. No entanto, ao revisar fotografias em 2019, a pesquisadora percebeu que as manchas em formato de rosetas eram maiores do que as normalmente observadas em espécies semelhantes.

O felino mede aproximadamente 46 centímetros de comprimento e pesa cerca de 1,4 kg. Sua pelagem marrom-clara apresenta manchas irregulares distribuídas pelo corpo. Até agora, a espécie foi identificada apenas na Bolívia, e os pesquisadores ainda buscam compreender melhor seus hábitos. Vestígios encontrados nas fezes indicam o consumo de pequenos roedores, enquanto registros de armadilhas fotográficas sugerem maior atividade durante a noite.

Para confirmar a descoberta, os cientistas realizaram análises genéticas de diferentes representantes do gênero Leopardus. Os resultados indicaram que a linhagem do novo felino se separou de outros gatos-tigres há aproximadamente 1,4 milhão de anos. O estudo também identificou uma diversidade maior do que a esperada entre esses animais, incluindo o reconhecimento de cinco espécies e uma nova subespécie encontrada no Peru, denominada Leopardus tigrinus antisuyo.

A pesquisa, publicada na revista científica Current Biology, analisou 38 genomas completos de felinos sul-americanos, incluindo amostras preservadas em museus. O trabalho foi conduzido por uma equipe internacional liderada pelo pesquisador Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com participação de cientistas bolivianos.

Além da importância científica, a descoberta chama atenção para os riscos enfrentados pelos pequenos felinos da América do Sul. Estudos genéticos apontam que algumas populações registraram reduções expressivas ao longo de milhares de anos. Atualmente, o desmatamento, a expansão agrícola, os incêndios e a mineração representam ameaças adicionais à sobrevivência desses animais.

 

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