Batizado de PMR-116, o composto está programado para iniciar testes em humanos já em 2025, oferecendo nova esperança para pacientes com tumores resistentes às terapias convencionais.
Pesquisadores da Universidade Nacional Australiana (ANU), em parceria com a empresa Pimera Therapeutics, desenvolveram um novo medicamento promissor contra alguns dos tipos mais agressivos e difíceis de tratar de câncer. Batizado de PMR-116, o composto está programado para iniciar testes em humanos já em 2025, oferecendo nova esperança para pacientes com tumores resistentes às terapias convencionais.
O alvo do novo fármaco é o oncogene MYC, um dos maiores desafios da oncologia moderna. Presente em aproximadamente 70% dos casos de câncer, esse gene impulsiona o crescimento descontrolado de tumores como os de ovário, próstata, pâncreas e fígado. A superexpressão da proteína MYC costuma tornar os tratamentos menos eficazes, dificultando a resposta terapêutica.
Diferentemente de abordagens anteriores, o PMR-116 não tenta bloquear diretamente a proteína MYC, cuja estrutura instável dificulta a ação de medicamentos. Em vez disso, a nova estratégia atua em uma via posterior do processo biológico, inibindo uma enzima crucial para a síntese do RNA ribossômico — um passo essencial na produção de proteínas pelas células cancerígenas. Ao interromper essa etapa, o composto torna as células tumorais mais vulneráveis e pode desacelerar significativamente a progressão da doença.
Segundo os pesquisadores, os primeiros testes clínicos serão realizados no formato conhecido como “ensaio em cesta”, que reúne pacientes com diferentes tipos de câncer, desde que apresentem ativação do MYC. A escolha desse modelo, segundo o hematologista Mark Polizzotto, acelera a obtenção de resultados e permite avaliar a eficácia do medicamento em diversos cenários ao mesmo tempo.
Se os resultados forem positivos, o PMR-116 poderá abrir caminho para uma nova geração de terapias contra cânceres de alta letalidade, revolucionando o tratamento de tumores até então considerados quase intratáveis.