Pesquisa aponta limitações geológicas, mas mantém satélite como alvo promissor.
Lua Europa, de Júpiter.
A pergunta sobre a existência de vida fora da Terra volta ao centro do debate científico após a divulgação de um novo estudo que põe em dúvida o potencial habitável da lua Europa, satélite de Júpiter. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Washington e publicada na revista Nature Communications.
Europa é considerada um dos locais mais promissores do sistema solar na busca por vida extraterrestre, principalmente por possuir um vasto oceano subterrâneo sob uma espessa camada de gelo. No entanto, o novo estudo indica que o fundo oceânico da lua pode não apresentar condições geológicas suficientes para sustentar processos associados à vida.
Os pesquisadores analisaram o potencial de atividades tectônicas e vulcânicas no fundo do oceano de Europa, fenômenos que, na Terra, facilitam a interação entre rochas e água do mar, gerando nutrientes e reações químicas essenciais à vida. A modelagem das condições do satélite mostrou que o fundo oceânico rochoso é mecanicamente resistente demais para permitir esse tipo de atividade de forma significativa.
“As reações água-rocha oceânicas que ocorrem hoje, portanto, provavelmente se restringem ao fluxo de fluidos apenas nas primeiras centenas de metros do fundo oceânico. Portanto, quaisquer processos capazes de manter condições habitáveis no fundo do mar de Europa atualmente devem ser independentes da atividade tectônica em curso”, aponta o estudo.
O principal autor da pesquisa, Paul Byrne, explicou à Reuters que, “sem essa atividade” semelhante à existente na Terra, as reações químicas “são mais difíceis de estabelecer e manter, tornando o fundo do mar de Europa um ambiente desafiador para a vida”.
Apesar das conclusões, os cientistas ressaltam que Europa continua sendo um dos melhores candidatos na busca por vida fora da Terra. Um dos coautores do estudo, Christian Klimczak, afirmou à Reuters que, “embora a geologia funcione de maneira semelhante em todo o sistema solar, cada corpo planetário que exploramos apresenta algum processo único. Dado o que sabemos sobre Europa, ela ainda é o melhor lugar para procurar vida extraterrestre”.
Byrne destacou ainda que três fatores são considerados essenciais para a manutenção da vida: água líquida, química orgânica e energia. “O oceano subterrâneo de Europa satisfaz o primeiro requisito. Identificamos substâncias químicas orgânicas na camada externa de gelo desta lua, e é bem possível que existam substâncias semelhantes dentro do oceano. Portanto, esse é o segundo requisito. E a órbita específica de Europa significa que Júpiter impulsiona o aquecimento de maré em seu interior, o terceiro requisito”, concluiu o pesquisador.