Proposta liderada por países africanos defende projeção mais proporcional para África, América do Sul e Ásia.
Uma proposta apresentada na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) pretende estimular a adoção de mapas-múndi que representem de forma mais proporcional o tamanho real dos continentes. A iniciativa, intitulada “Corrija o mapa”, foi liderada pelo Togo e por outros países africanos e questiona modelos cartográficos que, segundo seus defensores, ampliam visualmente algumas regiões do planeta enquanto reduzem outras.
O principal alvo das críticas é a projeção de Mercator, criada no século 16 e amplamente utilizada ao longo da história por sua utilidade na navegação marítima. O problema é que esse modelo aumenta as áreas localizadas em latitudes mais elevadas, fazendo com que regiões próximas aos polos pareçam maiores do que realmente são quando comparadas às áreas mais próximas da linha do Equador.
Um dos exemplos mais conhecidos é o da Groenlândia, que em muitos mapas aparece com dimensões próximas ou até superiores às da África. Na realidade, porém, o continente africano possui uma área muito maior. Para os países que defendem a mudança, esse tipo de representação pode influenciar a percepção das pessoas sobre a importância territorial e geográfica de determinadas regiões.
Equal Earth surge como alternativa
Entre as opções apresentadas está a projeção Equal Earth, chamada em português de “Terra Igual”. O modelo foi desenvolvido para preservar de forma mais fiel a proporção das áreas dos continentes, reduzindo algumas das distorções observadas em projeções tradicionais.
Representantes da União Africana defendem que a Equal Earth oferece uma leitura visual mais equilibrada do planeta, especialmente para regiões como África, América do Sul e Sul da Ásia. A proposta não se limita apenas a uma discussão técnica, mas também aborda o papel dos mapas na educação, na cultura e na construção da percepção coletiva sobre o mundo.
O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou que a iniciativa representa mais do que uma simples alteração cartográfica. Para os defensores do projeto, corrigir as diferenças de proporção também significa buscar maior equilíbrio na forma como os continentes e suas populações são apresentados em materiais educacionais, meios de comunicação e plataformas digitais.
Mudança prioriza proporção das áreas
A adoção de uma projeção como a Equal Earth não significa que os continentes passarão a ter formatos completamente diferentes nos mapas. A principal mudança está na proporção visual das áreas, permitindo que a comparação entre os tamanhos dos continentes fique mais próxima da realidade.
Toda projeção cartográfica exige algum nível de distorção, já que uma superfície esférica precisa ser representada em um plano bidimensional. Por isso, diferentes modelos priorizam características distintas, como formas, distâncias, direções ou áreas. No caso da Equal Earth, a prioridade é justamente preservar as dimensões relativas dos continentes de maneira mais proporcional.