A polícia segue em busca dos outros suspeitos do crime, incluindo três maiores de idade que continuam foragidos
A Polícia Civil do Ceará revelou novas informações sobre o assassinato do adolescente Henrique Marques de Jesus, de 16 anos, ocorrido em Jericoacoara. atribuído inicialmente a gestos feitos em fotos na internet, o crime agora está sendo relacionado a uma blusa usada pela vítima, que teria um símbolo associado a uma facção rival.
Segundo o delegado Júlio Morais, responsável pelo caso, os depoimentos indicam que uma peça de roupa despertou a desconfiança de traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV), que domina a região. O jovem teria sido confundido como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo rival, o que motivou sua tortura e morte.
Henrique foi brutalmente torturado, teve uma orelha decepada e foi assassinado no dia 16 de dezembro de 2024. A polícia já tem sete suspeitos pelo crime, incluindo três menores de idade. Dois adolescentes estão sob custódia, enquanto uma terceira decisão aguarda judicialmente para internação.
A blusa, considerada peça-chave na investigação, não foi encontrada, assim como o celular do adolescente. Testemunhas contam que o desenho na roupa era o de uma meia-lua. No vídeo que mostra Henrique sendo levado pelos criminosos, ele já estava sem camisa.
Os suspeitos chegaram ao celular da vítima e encontraram imagens de armas e referências a grupos rivais, mas a polícia não conseguiu confirmar essas informações devido à ausência do aparelho. “Não temos certeza absoluta, mas concluímos na versão apresentada pelos envolvidos, pois não houve contradição nos depoimentos”, afirmou o delegado.
O pai de Henrique, Danilo Martins de Jesus, critica o andamento das investigações e nega qualquer envolvimento do filho com facções. “Estão querendo inverter a situação, como se ele fosse bandido para abafar o caso. Meu filho não é bandido”, declarou.
Henrique foi visto pela última vez ao retornar sozinho para o hotel onde estava hospedado com o pai. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, em 18 de dezembro de 2024, em uma área afastada próxima à Lagoa Negra. Ele teria sido levado para a Praia da Malhada, onde foi torturado antes de ser morto.
A polícia segue em busca dos outros suspeitos do crime, incluindo três maiores de idade que continuam foragidos. O caso, marcado pela brutalidade e pela rivalidade entre facções, expõe a violência que assola comunidades no Ceará.