Alinhamento quase perfeito com a Terra cria ilusão e amplifica luz emitida por blazar.
Astrônomos finalmente elucidaram um enigma que intrigava a comunidade científica há anos: como um jato espacial aparentemente lento pode emitir tamanha quantidade de luz. O protagonista dessa história cósmica é o PKS 1424+240, um blazar famoso entre pesquisadores e que, para os fãs de cultura pop, lembra o “Olho de Sauron” da saga O Senhor dos Anéis.
O fenômeno é, na verdade, uma ilusão de ótica causada pela posição do jato em relação à Terra. “Quando o feixe está alinhado quase exatamente na nossa direção, sua emissão de alta energia é amplificada em até 30 vezes pelos efeitos da relatividade especial. Ao mesmo tempo, o movimento parece mais lento devido à projeção”, explica Jack Livingston, coautor do estudo.
Blazares são galáxias ativas que abrigam buracos negros supermassivos em seus centros. Essas estruturas expelem jatos relativísticos — feixes estreitos de partículas carregadas, como elétrons e prótons — acelerados a velocidades próximas à da luz. Ao apontarem diretamente para nós, esses jatos tornam-se fontes extremamente brilhantes, emitindo radiação que vai da luz visível aos raios gama, permitindo que sejam observados a distâncias imensas.