Saúde

Obesidade avança no Brasil e acende alerta, aponta relatório

Com o aumento expressivo da obesidade especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas específicas como a tributação de alimentos ultraprocessados, restrições à publicidade de produtos não saudáveis e campanhas educativas sobre nutrição

14 de Marco de 2025
Foto: Divulgação

A Federação Mundial da Obesidade (WOF, na sigla em inglês) divulgou o Atlas Mundial da Obesidade 2025, destacando a preocupante epidemia global da doença. No Brasil, os dados mostram que 68% dos adultos estão acima do peso, sendo que 31% são considerados obesos. Além disso, as projeções indicam que até 2030, o número de pessoas obesas poderá aumentar em 33,4% entre os homens e 46,2% entre as mulheres.

Segundo a endocrinologista Luciana Lobato, a diferença entre os índices de obesidade entre homens e mulheres está relacionada ao período do climatério. “A partir dos 50 anos, as mudanças hormonais da menopausa favorecem o aumento do tecido adiposo e a perda de musculatura. Nos homens, isso ocorre em idade mais avançada, após os 65 ou 70 anos”, explica.

Além dos impactos físicos, a obesidade também está diretamente ligada à saúde mental. A psicóloga Jucélia Barbosa Maciel destaca que há uma relação bidirecional entre os dois fatores. “Pessoas com predisposição genética à obesidade podem desenvolver transtornos psicológicos, assim como quadros de ansiedade e depressão podem contribuir para o ganho de peso”, afirma.

Para combater esse cenário, foi lançada a campanha global "Mudar o Mundo Pela Saúde". A busca por iniciativas mobilizar governos e a sociedade para implementar políticas públicas externas à redução da obesidade. Medidas de incentivo à alimentação saudável, regulamentação da publicidade infantil e promoção da atividade física estão entre as recomendações.

Outro ponto preocupante do relatório é o aumento da obesidade infantil. De acordo com um estudo do Murdoch Children's Research Institute (MCRI), publicado na revista The Lancet , um terço das crianças e jovens entre 5 e 14 anos estará acima do peso até 2050. O índice global triplicou entre 1990 e 2021, aumentando 244%.

O levantamento aponta que países como China, Egito, Índia e Estados Unidos lideraram o número de crianças e adolescentes obesos. O crescimento expressivo dessa condição pode afetar a expectativa de vida das novas gerações, além de aumentar os custos dos sistemas de saúde.

No Brasil, especialistas reforçam que a prevenção da obesidade infantil deve começar dentro de casa. Hábitos alimentares saudáveis e incentivo à prática esportiva são fundamentais. “Os pais devem ser exemplos e criar uma rotina equilibrada para seus filhos”, alerta um trecho do estudo.

A prática de atividades físicas também é essencial na prevenção e no combate à obesidade. O educador físico Herckson William explica que exercícios aeróbicos, como corrida, natação e ciclismo, são ideais para a queima de calorias. “Pessoas sedentárias devem passar por uma avaliação médica antes de iniciar qualquer treino”, recomenda.

Além disso, ele destaca a importância de escolher atividades de baixo impacto para aquelas com sobrepeso, a fim de evitar problemas articulares. "A água é uma aliada, então esportes como natação e hidroginástica são altamente recomendados", conclui.

A obesidade é habitualmente identificada pelo cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), que divide o peso pela altura ao quadrado. Valores entre 25 e 29,9 indicam sobrepeso, enquanto IMC acima de 30 caracteriza obesidade, dividida nos graus 1, 2 e 3.

Com o aumento expressivo da obesidade infantil e adulta, os especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas específicas. Entre as medidas sugeridas estão a tributação de alimentos ultraprocessados, restrições à publicidade de produtos não saudáveis e campanhas educativas sobre nutrição.

O combate à obesidade deve ser tratado como prioridade nacional, uma vez que uma doença esteja associada a problemas de saúde como diabetes, hipertensão e complicações cardiovasculares. Se nada for feito, o impacto na qualidade de vida da população e nos custos de saúde pública pode ser catastrófico.

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