Educação

Olimpíada de Professores de Matemática premia vencedores com viagem à China

Docentes do Ensino Médio de todo o país podem se inscrever para a segunda edição da competição, que oferece intercâmbio cultural e formação em Xangai.

16 de Marco de 2025
Foto: Any Duarte / IMPA / Divulgação

Professores de matemática do ensino médio em todo o Brasil têm a oportunidade de participar da segunda edição da Olimpíada de Professores de Matemática (OPMBr). A competição visa avaliar as práticas pedagógicas e o conhecimento didático dos docentes e premiará dez vencedores na categoria ouro, com a viagem para Xangai, onde terão a chance de participar de um programa de formação e intercâmbio cultural em escolas locais. As inscrições para a competição estão abertas desde o dia 1º de março. 

A OPMBr foi idealizada por uma turma de veteranos de engenharia do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), que discutia maneiras de melhorar o ensino básico de matemática no Brasil. Embora o país faça parte da elite mundial em matemática, ocupa a 65ª posição no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), publicado no final de 2023, e tem mostrado resultados abaixo da média em exames que avaliam o ensino básico de matemática. 

Nesta edição da OPMBr, os professores inscritos realizarão uma avaliação online em junho. Os selecionados enviarão um vídeo demonstrando seu trabalho em sala de aula, abordando metodologias e experiências pedagógicas. Em agosto, esses vídeos serão avaliados, e em setembro será realizada a terceira fase da competição, com entrevistas conduzidas pelo Conselho Acadêmico. Os vencedores serão anunciados em novembro e iniciarão o intercâmbio em abril de 2026. 

A professora Jaqueline Mesquita, do Conselho Acadêmico da Olimpíada e presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, destacou a importância da competição para identificar não só os conteúdos trabalhados, mas também a maneira como são transmitidos aos alunos. “O professor sabe como abordar esse conteúdo em sala de aula, ele traz o que a gente chama de ‘conhecimento pedagógico de conteúdo’, que é a forma de linkar o conteúdo matemático com a forma de ensinar este conteúdo em sala de aula, e este foi o grande diferencial dos vencedores da última edição”, explicou a professora. 

Mesquita também chamou a atenção para o fato de que muitos medalhistas de ouro da última edição vieram de cidades do interior, desafiando a ideia de que grandes centros urbanos são os únicos a produzir bons resultados em educação. “Os dados das Olimpíadas podem ser importantes para mapearmos as assimetrias regionais no ensino da matemática, compreendendo as competências necessárias a serem desenvolvidas por esses professores em cada localidade”, explicou, destacando a relevância desses dados para a formulação de políticas públicas mais eficazes. 

Rubens Lopes e sua jornada 

Rubens Lopes Netto, professor do Maranhão e vencedor da última edição da OPMBr, compartilhou sua história com a matemática, que começou ainda na infância, com o apoio de seu pai, que sempre o incentivou a aprender a matéria de forma prática no cotidiano. “Minha primeira escola era no campo, em um povoado. Lá fazia, por exemplo, uso de materiais concretos e outras estratégias”, contou Rubens, que iniciou sua carreira no magistério em escolas rurais, onde teve de se adaptar a poucos recursos e uma dinâmica mais interativa com os alunos. 

Após se formar, Rubens passou a dar aulas no ensino médio e atualmente está concluindo seu doutorado na área, além de atuar na formação de professores para o governo do Maranhão. Ele explicou que sua escolha para a OPMBr veio após alcançar bons resultados no desempenho de alunos em provas como o Saeb e o Seama, conquistando a melhor média de proficiência do nono ano em escolas de cidades pequenas como Mata Roma e Anapurus. 

Em sua viagem para a China, Rubens visitou quatro escolas e descreveu a experiência como “incrível, algo que eu não ousaria sonhar nem em meus melhores sonhos”. Para ele, a viagem proporcionou uma valiosa análise sobre as diferenças no ensino de matemática entre os dois países. “Eles trabalham muito a questão de aprendizagem por pares e formação continuada, então um professor se capacita com outro, de sua área. Os estudantes entendem que estudar é importante, e que saber matemática e ciências pode lhes fazer conhecer o mundo”, afirmou Rubens. 

De volta ao Brasil, ele aplicou os aprendizados em seminários promovidos pelo governo do Maranhão, com workshops para promover mudanças de atitude entre os professores. “Agora, muita coisa que a gente viu lá [na China], como estrutura e cultura, a gente viu que só vai surtir algum efeito a longo prazo”, concluiu Rubens. 

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